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AtualizadoSex, 24 Set 2021 3pm

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Daichii Sankyo

Análise dos resultados do estudo CAPRI-GOIM em câncer colorretal

Anelisa_Destaque.jpgAnelisa K. Coutinho, oncologista da clínica AMO, em Salvador, Bahia, e presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG), comenta com exclusividade para o Onconews os resultados da segunda parte do estudo de fase II CAPRI-GOIM, apresentados no Congresso Mundial de Câncer Gastrointestinal da ESMO, que aconteceu no mês de julho, em Barcelona. O CAPRI-GOIN avaliou o benefício da manutenção da droga anti-EGFR (Cetuximabe), após a progressão da primeira linha de tratamento com FOLFIRI+Cetuximabe.

{jathumbnail off}O Gruppo Oncologico dell’Italia Meridionale (GOIM) publicou em 2014 resultados de análise retrospectiva em 340 pacientes com câncer colorretal metastático (CCRm), KRAS exon 2 selvagem avaliados por teste de laboratório local, e tratados em primeira linha com regime FOLFIRI + Cetuximabe. Destes, 182 amostras (53,5%) tiveram o status de mutação gênica reavaliado e expandido por next-generation sequencing (NGS)1. Os autores reportaram 15,9% de mutação encontrada no exon 2 KRAS no total das 182 amostras anteriormente definidas como sendo KRAS selvagem. Além disso a sobrevida livre de progressão mediana (SLPm) foi de 11,1 meses para os pacientes KRAS e NRAS selvagem, comparada com 8,9 meses para os mutados.

No último Congresso Mundial de Câncer Gastrointestinal da ESMO, que ocorreu em julho em Barcelona, foram apresentados os resultados da segunda parte deste estudo de fase II intitulado CAPRI-GOIN, com avaliação do benefício da manutenção de droga anti-EGFR (Cetuximabe), após a progressão da primeira linha de tratamento com FOLFIRI+Cetuximabe. Nesta oportunidade, 153 pacientes foram randomizados para troca do regime quimioterápico (QT) para FOLFOX, com manutenção ou não do Cetuximabe, e destes, 76,5% (117/153) pacientes) foram re-testados por NGS, incluindo genes KRAS/NRAS/BRAF/PIK3CA. Em 43,6% (51/117 pacientes), foi encontrada pelo menos uma mutação em algum destes genes.   
 
Os resultados mostraram uma tendência favorável a manutenção do Cetuximabe comparado com o braço FOLFOX isolado após progressão, com SLPm 6,4meses versus 4,5meses, entretanto sem significância estatística no grupo KRAS exon 2 selvagem originalmente, grupo Intent to treat (ITT). A sobrevida global mediana (SGm) também favoreceu o braço com anticorpo monoclonal (AcMo), 17,6 versus 14 meses; porém p=0,41. Entretanto, quando analisados apenas os pacientes SEM mutações em nenhum dos 4 genes: KRAS, NRAS, BRAF ou PIK3CA, a SLPm foi de 6,9 meses versus 5,3meses, com p =0,025 e a SGm 23,7 versus 19,8m respectivamente; p=0,056.
 
Este é um estudo interessante, uma vez que é a primeira vez que o principio de manutenção de droga anti-EGFR, no caso Cetuximabe, é testado. A manutenção de droga anti-VEGFr em CCRm já teve benefício demonstrado com o estudo TML2, além de com o estudo VELOUR3, que usou Aflibercept (droga anti VEGFR) em segunda linha, onde 28% da amostra havia sido previamente tratada com bevacizumabe. O estudo RAISE4 também reflete secundariamente este princípio, uma vez que os pacientes tratados com Ramucirumabe (droga anti VEGFr) associada a QT, haviam sido previamente tratados com bevacizumabe.
 
Entretanto as drogas anti-EGFR tem características diferentes das anti VEGFR. A premissa de ausência de mutação nos genes KRAS e NRAS (all-RAS) para permitir o uso é uma delas. Outra particularidade é a possibilidade de ocorrência de mutação secundária após o uso da droga anti EGFR, em paciente previamente testado com RAS Selvagem. Portanto, nestes pacientes tratados em primeira linha com regime de QT associado a droga antiEGFR, seria interessante o re-teste do status all-RAS antes de optar por prosseguir com a mesma classe de anticorpo monoclonal associado a novo esquema QT no momento da progressão, excluindo assim os pacientes com possíveis mutações secundárias.
 
Um outro ponto a ser considerado é o fato deste estudo ter comparado a manutenção do anticorpo associado a QT versus o esquema de QT isolado, sem adição outra classe de anticorpo monoclonal.  Entretanto, o desenho do estudo TML para avaliação do uso do bevacizumabe pós progressão também comparou a manutenção da droga anti-VEGF com esquema de QT isolado.    
 
Em resumo, o princípio da manutenção do anti-EGFR após progressão, com troca do esquema QT mostrou ser uma estratégia factível, com potencial benefício neste estudo de fase II, estratégia que pode ser útil em alguns pacientes, principalmente naqueles com toxicidade baixa relacionada a classe anti-EGFR. Essa estratégia pode ser melhor explorada em estudo de fase III.

Referências 
 
1.                  F. Ciardiello et al. Ann Oncol 25:1756-1761, 2014
2.                  Bennouna et al. Lancet Oncol 14:29, 2013
3.                  Van Cutsen et al. J Clin Oncol 30, 2012
4.                  Tabernero et al. J Clin Oncol 33: abst 512, 2015



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