Editorial da edição de junho do Lancet analisa 20 anos de progressos no tratamento do câncer de pulmão, desde a aprovação da primeira terapia-alvo direcionada ao EGFR em 2003 e da identificação de mutações somáticas específicas no gene EGFR em 2004, que permitiram a seleção de pacientes e melhoraram drasticamente os resultados. “Até 2000, o câncer de pulmão era uma doença altamente letal”, lembra a publicação, que destaca como a oncologia de precisão tem contribuído para reconfigurar o cenário de tratamento.

“As opções de tratamento eram extremamente limitadas, com apenas agentes quimioterápicos à base de platina disponíveis, resultando em uma taxa de sobrevida em 1 ano de 33% em pacientes com doença avançada”, descreve o editorial. Ao traçar uma linha evolutiva, o impacto da descoberta de mutações acionáveis se traduz em resultados sem precedentes para os pacientes e em novas práticas na assistência oncológica. “Nos EUA, por exemplo, a sobrevida global mediana para pacientes com câncer de pulmão não pequenas células avançado passou de cerca de 8 a 10 meses antes das terapias-alvo para mais de 50 meses em alguns casos. O teste de biomarcadores para pacientes com câncer de pulmão se tornou uma parte difundida do tratamento oncológico de rotina”, prossegue a publicação.

Ao enfocar 20 anos de progressos no tratamento do câncer de pulmão, o Lancet ilustra entre os marcos dessa evolução o ensaio LAURA, com resultados recém apresentados no encontro anual da ASCO este ano. “O ensaio LAURA é o primeiro estudo de fase 3 a avaliar um agente direcionado em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio III irressecável. Neste estudo, osimertinibe, um inibidor de tirosina quinase direcionado a EGFR, superou significativamente a sobrevida livre de progressão alcançada pelo placebo (39,1 meses vs 5,6 meses) e mostrou um efeito protetor contra a progressão em SNC”, exemplifica.

Apesar da recomendação de cautela, em razão de desfechos substitutos, o editorial sinaliza que esses dados impressionam e elevam o  nível do que as terapias alvo podem alcançar para pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas. “O resultado dessas conquistas significa que a perspectiva para os pacientes é mais positiva do que nunca”.

A íntegra do editorial está disponível na edição de junho (VOLUME 403, ISSUE 10445, P2663, JUNE 22, 2024)

Lei mais sobre o estudo LAURA:

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Referência:

DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01299-6

LAURA trial N Engl J Med 2024; published online June
https://doi.org/10.1056/nejmoa2402614