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AtualizadoSeg, 11 Nov 2019 2pm

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II Semana Brasileira da Oncologia

SBCO quer valorizar a cirurgia oncológica

Alexandre presidente sbcoAlexandre Ferreira Oliveira (foto) assume a presidência da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e em entrevista ao Onconews aponta metas e desafios da SBCO. "Um trabalho da Organização Mundial de Saúde dimensiona a importância do desafio e da missão da SBCO: dois terços dos pacientes com tumores sólidos estão acima dos 65 anos e 59% dos pacientes que têm câncer inicial são tratados apenas com cirurgia oncológica. Isso mostra que a cirurgia oncológica tem um papel fundamental no tratamento do câncer", observa. 

Quais os grandes desafios da especialidade hoje?
O primeiro desafio é você aumentar a inserção do cirurgião oncológico junto ao mercado, porque o grande problema da cirurgia oncológica é essa interface, que às vezes nos afasta e às vezes nos aproxima das outras especialidades. Se você tem um paciente com câncer de mama, vai procurar o cirurgião oncológico ou o mastologista? Essas especialidades não devem ser vistas como concorrentes, mas como especialidades que se somam e essa interface tem que ser aumentada. Vamos buscar isso fazendo trabalhos multidisciplinares, fazendo guidelines em conjunto com outras especialidades, estimulando estudos em conjunto com outras especialidades. Outro aspecto muito importante é aumentar a inserção do cirurgião oncológico dentro dos CACONs/UNACONs, que já é grande mas pode melhorar. Isso vai permitir mais acesso à cirurgia oncológica. Dados apresentados pelo Deputado Frederico Escaleira, oncologista, mostram que 50 mil pacientes com câncer não conseguem cirurgia oncológica no país. Eu acho que isso é uma função importante como Sociedade. A SBCO tem que zelar pelo bem-estar dos associados, mas fundamentalmente tem um compromisso moral com os pacientes. Temos que transformar esse bem-estar do profissional em atendimento padrão para o paciente, independentemente de saber se ele tem plano de saúde ou não. Hoje, o SUS é o grande prejudicado. Se nós estamos em um momento que falta dinheiro na medicina privada, na medicina suplementar, o que dizer do SUS? Certamente é o SUS que está mais prejudicado. Sabendo que o governo não tem dinheiro, também não adianta querer tecnologia de alto custo e querer cobrar isso. Nós temos que sentar junto com o governo nesse momento de crise e negociar, dentro do possível. O paciente do SUS está aí, 80% da população brasileira, e temos que melhorar essa relação de atendimento. Em relação às novas tecnologias, estamos falando de cirurgia robótica quando na verdade nós não conseguimos videolaparoscopia pelo SUS para um paciente oncológico. O Sistema Único de Saúde teoricamente dá direito a tudo, propõe essa assistência integral, mas na verdade isso não funciona. Nós nos distanciamos muito da Constituição de 1988 a partir do momento em que houve um aumento muito grande de novas tecnologias e infelizmente o SUS não conseguiu acompanhar.

Novas tecnologias, o SUS e a saúde suplementar, qual a sua visão?
Estamos com 80% da nossa população fora da saúde suplementar. Eu acho que o governo, por incrível que pareça, está preocupado com isso, porque toda vez que você quer implementar novas tecnologias ou buscar um aumento na tabela do SUS, não só da parte hospitalar, mas na parte de serviços profissionais, a gente ouve que não tem dinheiro. Sempre ouvi isso, acho que o SUS já nasceu sem dinheiro. Mas agora está pior, a gente não pode simplesmente ir buscar recursos e encontrar as portas fechadas. Nós temos que sentar e renegociar isso, buscar formas junto ao governo. Nessa hora é tentar pensar como gestor e a SBCO como Sociedade tem que se preocupar com gestão, tem que se preocupar com políticas de saúde. Do contrário, o quadro é esse: 52 mil brasileiros todo ano ficam sem atendimento de cirurgia oncológica adequada, o que é impressionante. Temos que agir ou isso só vai aumentar cada vez mais. O câncer é um problema de saúde pública. Hoje, já é a principal causa de mortalidade em 12 capitais brasileiras e vai ser a principal causa de mortalidade no mundo em 2029. Estamos diante de uma guerra. Temos que pensar caminhos para a cirurgia oncológica ou muita gente vai morrer no Brasil. A pior coisa que tem é ficar correndo atrás para tratar complicações do paciente. A saída é começar a mudar dentro de casa, com medidas básicas. A gente está preocupado em fazer robótica, mas não ensina o paciente a lavar as mãos antes das refeições. A Oncologia passa por uma questão de educação, precisamos ensinar que a obesidade é uma das principais causas de morte por câncer, atrás do tabagismo, isso é prevenção e promoção da Saúde, que infelizmente não temos feito adequadamente. A robótica traz benefício para o paciente? Pode trazer, mas o que importa é fazer uma cirurgia bem feita. A robótica veio para ficar, é indiscutível. Mas em qualquer país, seja pobre ou rico, o mais importante é que a cirurgia seja bem feita. E quando você me pergunta da saúde pública e da saúde suplementar, a relação é desigual, o que traz distorções profundas. O problema é o paciente marcar uma consulta no seu consultório e você explicar que ele vai fazer cirurgia por videolaparoscopia. Só que no SUS, esse mesmo paciente vai ser tratado com cirurgia aberta.  É um conflito ético muito importante e muito perigoso. Apesar de saber que a robótica ou a cirurgia minimamente invasiva não trouxe grande sobrevida, precisamos reconhecer que ela melhorou muito os resultados funcionais. Mas a grande bandeira da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica é melhorar o atendimento do paciente com câncer, essa tem que ser a principal meta, que passa por valorizar o cirurgião oncológico.

Como a SBCO quer valorizar o cirurgião oncológico?
Queremos aumentar a integração dos sócios dentro da SBCO, valorizar a qualificação. É um absurdo que hoje tenhamos a Oncologia como principal causa de morte em várias capitais do país e do mundo e que Oncologia não seja disciplina obrigatória no curso de medicina. É um contrassenso. Então, a valorização da oncologia, da cirurgia oncológica, é sem dúvida uma bandeira. Queremos melhorar a qualidade dos honorários do cirurgião oncológico e já começamos a dialogar com outras especialidades. Fizemos uma sessão com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com a Associação Brasileira de Ortopedia Oncológica e vamos avançar nessa aproximação. Também deixamos claro para todos os presidentes regionais que a orientação é fazer uma busca ativa para que profissionais que estão fora da Sociedade venham se somar a SBCO. Queremos aumentar a inserção do cirurgião oncológico, mas também do cirurgião não oncológico. Quando você assume um cargo de direção, não pode achar que está fazendo uma corrida de 100 metros. Estamos em uma maratona e vamos atuar em várias frentes. Hoje, um trabalho da Organização Mundial de Saúde dimensiona a importância do desafio e da missão da SBCO: dois terços dos pacientes com tumores sólidos estão acima dos 65 anos e  59% dos pacientes que têm câncer inicial são tratados apenas com cirurgia oncológica. Isso mostra que a cirurgia oncológica tem um papel fundamental no tratamento do câncer. Nosso trabalho tem que ter amplitude nacional e ao mesmo tempo tem que ser no seu bairro, tem que ser na sua instituição, na sua cidade. Essa é a nossa obrigação, lembrar que somos médicos cirurgiões em um país pobre e temos que honrar nossa função social.

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