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AtualizadoDom, 16 Jun 2019 10pm

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ASCO 2019

Vacinação contra o HPV na América Latina

angelica asco19 bxOs desafios e soluções da vacinação contra o HPV na América Latina foram tema da apresentação da oncologista Angélica Nogueira-Rodrigues (foto), professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA/GBTG), durante a Educational Session da ASCO 2019. “Embora a América Latina tenha um histórico de alta cobertura vacinal, com sólidos programas nacionais de imunização, os programas de vacinação contra o HPV correm o risco de ser uma ferramenta eficiente, porém subutilizada, na América Latina”, afirma Angélica.

O HPV continua a ser uma das principais causas de câncer na América Latina, principalmente devido à carga de câncer de colo do útero. A prevalência de infecção por HPV é duas vezes maior na região em comparação com a média mundial e está associada a 68.220 novos casos de câncer de colo do útero por ano. “Como a doença afeta predominantemente mulheres jovens, ela representa a maior causa de anos de vida perdidos como resultado do câncer no mundo em desenvolvimento”, observa a especialista.

No entanto, apesar da comprovada eficácia e segurança, a adesão à vacina contra HPV tem sido menor do que a esperada por vários motivos, incluindo o custo, a necessidade de doses subsequentes, conhecimento limitado da eficácia e segurança da vacina contra o HPV, barreiras culturais, recomendação insuficiente do provedor de saúde e estratégias inadequadas de implementação.

Baixa adesão

Uma situação alarmante na América Latina é a redução da adesão até mesmo da primeira dose de vacina nos anos seguintes à introdução da vacinação contra o HPV nos calendários nacionais de imunização. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal com uma ou mais doses diminuiu de 92% da população-alvo (meninas de 11 a 13 anos) em 2014, quando foi implementada, para 69,5% (meninas de 9 a 11 anos) em 2015, uma redução dramática de 23% em 1 ano.

O Brasil experimenta ainda uma variação notável na adesão à vacina, com taxas mais altas de captação de vacina observadas em áreas mais desenvolvidas do país, onde o câncer de colo do útero é menos incidente, e taxas mais baixas de captação de vacina onde a incidência da doença é historicamente maior. “Em estados da região nordeste do país, onde o câncer de colo do útero continua a ser uma das principais causas de câncer em mulheres, a cobertura de primeira dose foi de apenas 21,5% da população-alvo no segundo ano de vacinação pública”, alerta Angélica.

Segundo o Ministério da Saúde, apenas 4% das cidades brasileiras tinham 80% ou mais da população-alvo vacinada; em 44% dos municípios, a captação da vacina variou entre 50% e 80%, e foi inferior a 50% em 52% nos demais locais.

Papel do prestador

Atualmente, a recomendação da vacina pelos prestadores de cuidados de saúde está abaixo do esperado, mesmo em países de alta renda. Uma pesquisa norte-americana sobre atitudes parentais em relação à vacinação contra o HPV mostrou que 30% dos pais citaram a falta de conhecimento ou crença de que a “vacina não era necessária” como as principais razões para não vacinar seus filhos adolescentes.

Entre os pais de meninos, 22,8% relataram que a principal razão era que a vacinação contra o HPV não havia sido recomendada pelo médico; entre os pais de meninas, 13% relataram que a vacinação contra o HPV não havia sido recomendada. “Vários estudos mostraram que, uma vez informados de que a vacina contra o HPV previne o câncer, os pais e os profissionais são mais propensos a apoiá-la”.

Muitos pais também citam as preocupações de segurança como uma das principais razões para não dar a vacina HPV aos seus filhos. No entanto, segundo a OMS, mais de 200 milhões de doses de vacinas contra o HPV foram distribuídas globalmente a partir de janeiro de 2016, e o Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas não encontrou nenhum problema de segurança que alterasse suas recomendações atuais para o uso da vacina contra o HPV.

Os aspectos culturais também influenciam os programas de vacinação contra o HPV, assim como influenciaram os programas de exames de Papanicolau em toda a América Latina. Entre eles, o conservadorismo religioso e a natureza do HPV como uma infecção sexualmente transmissível permitiram que os tabus culturais impedissem a comunicação e a educação sobre o HPV. “Há um desconforto entre pais e profissionais para discutir sexo36 e uma crença infundada de que a vacina contra o HPV aumentaria a atividade sexual do adolescente, o que impede alguns pais de dar a vacina a seus filhos”, explica a oncologista, acrescentando que estudos extensos mostraram que a vacinação contra o HPV não está associada ao aumento da atividade sexual ou atividade sexual precoce entre adolescentes.

“Essas informações devem ser adequadamente promovidas por sociedades médicas na América Latina e comunicadas aos pais por profissionais de saúde, em um esforço para dissipar os tabus que impedem a adoção de intervenções benéficas à saúde”, conclui.

Referência: HPV Vaccination in Latin America: Global Challenges and Feasible Solutions Angelica Nogueira-Rodrigues - DOI https://doi.org/10.1200/EDBK_249695

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