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AtualizadoQua, 28 Fev 2024 5pm

ASH 2023

Resultados de longo prazo e fatores de risco em adultos com LLA-T na América Latina

wellington 22 bxEstudo brasileiro selecionado para o ASH 2023 buscou apresentar resultados e identificar fatores prognósticos para a sobrevida de adultos recém-diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda de células T (LLA-T), utilizando dados de um estudo multicêntrico de registro de mundo real realizado na América Latina. O hematologista Wellington Fernandes da Silva (foto), médico do ICESP/FMUSP, é o autor sênior do trabalho.

A leucemia linfoblástica aguda de células T (LLA-T) corresponde a cerca de 25% de todos os casos recém-diagnosticados de leucemia linfoblástica aguda (LLA) em adultos. Embora a maioria dos protocolos de tratamento pediátrico classifique os pacientes com base no seu fenótipo, esta abordagem raramente é aplicada a adultos.

“Há uma escassez de coortes relatadas com foco específico na LLA-T em adultos. Frequentemente, esses casos são estudados juntamente com casos de células B, apesar de suas notáveis ​​diferenças biológicas, ou agrupados com linfoma linfoblástico de células T, que apresenta um prognóstico mais favorável em comparação com LLA-T”, observam os autores.

O estudo considerou dados de registro de quatro centros acadêmicos no Brasil, e incluiu pacientes com idade igual ou superior a 15 anos com LLA-T recém-diagnosticada entre janeiro de 2009 e junho de 2022. Os dados clínicos foram coletados de prontuários médicos após aprovação ética.

A sobrevida global (SG) e sobrevida livre de eventos (EFS) foram calculadas pelo método de Kaplan-Meier, com análise multivariada (MVA) de regressão de Cox para encontrar fatores de risco e análise de risco concorrente para recidiva. 

Resultados 

Foram incluídos 97 pacientes, com mediana de 27 anos de idade (variação de 15 a 82). LLA-T tímica foi responsável por 51% dos casos. Mediastino volumoso foi encontrado em 48% e a positividade da avaliação inicial do líquido cefalorraquidiano (LCR) foi de 12,5% (por morfologia ou citometria de fluxo). 

A maioria dos pacientes (88%) foi tratada com regimes de inspiração pediátrica (baseados em asparaginase [ASP]), principalmente GMALL adaptado (43%) e BFM adaptado (22%). A asparaginase de E. coli nativo foi utilizado em 76% e asparaginase peguilado (PEG-ASP) foi utilizado nos demais casos.

Durante a apresentação ou tratamento, 15% dos indivíduos apresentaram trombose em qualquer local, sendo a maioria dos casos associada ao uso de asparaginase (64%) e diagnosticada durante a indução (64%). Seguindo o regime de primeira linha, 77,3% dos pacientes alcançaram resposta completa (CR).

No geral, 11,3% dos pacientes morreram durante a fase de indução, enquanto 8% foram refratários primários. A análise univariada para resposta completa mostrou correlação com idade (p=0,002), tamanho volumoso (p=0,016) e uso de asparaginase (p=0,009). A mediana de follow-up foi de 6 anos.

O transplante alogênico de células-tronco (aloHSCT) foi realizado em 18 pacientes, sendo 11/18 na primeira resposta completa. A sobrevida global em cinco anos e a sobrevida livre de eventos em 5 anos foram de 43,7% (95% CI: 34,4-55,5) e 36,4% (95% CI 27,9-47,5), respectivamente. Ao longo do acompanhamento, a taxa de recidiva em 5 anos e a mortalidade sem recidiva (NRM) foram de 35,6% e 27,9%, respectivamente.

Entre os pacientes submetidos a aloHSCT, a sobrevida global em 5 anos foi de 64%. Na análise univariada, a idade avançada (HR 1,02 [1,01-1,04], p<0,01) foi associada a menor SG. Por outro lado, LLA-T tímica (HR 0,54 [0,3-0,96], p=0,03) e uso de ASP (HR 0,35 [0,17-0,716], p<0,01) foram associados a maior SG. A contagem inicial de glóbulos brancos não foi estatisticamente associada à sobrevida global.

Os pesquisadores também realizaram uma análise de subgrupos com foco na população adulta e jovem adulta (AYA, idade entre 15-45 anos). Neste subgrupo (n=85), 89% foram tratados com regimes de inspiração pediátrica e a sobrevida global em 5 anos foi de 46,5%. Na análise univariada, a trombose (HR 2,21 [1,09-4,48], p=0,02) foi associada à menor SG, enquanto a LLA-T tímica (HR 0,48 [0,24-0,93], p=0,03) e o uso de ASP (HR 0,317 [0,13-0,75], p<0,01) foram associados a maior SG. Na análise multivariada para jovens adultos, LLA-T tímica (HR 0,50 [0,25-0,98], p = 0,04) e trombose (HR 2,23 [0,97-5,13], p = 0,054) permaneceram associadas à SG, enquanto a idade avançada não foi (HR 1,004 [0,96 - 1,04], p=0,81).

Em síntese, os resultados relatados neste registro de LLA-T na América Latina são comparáveis aos relatórios mais antigos de grandes grupos em todo o mundo. “Atualmente, grupos europeus relataram taxas de SG superiores a 70% para adultos com LLA-T. No entanto, no nosso cenário, mesmo na população de jovens adultos a sobrevida global foi decepcionante. Isso pode ser atribuído ao aumento da mortalidade não-recidiva (NRM) devido à toxicidade do tratamento e ao acesso limitado ao transplante alogênico de células tronco (TCTH), o que pode ter contribuído para esses achados”, observam os autores.

“A LLA-T tímica continua sendo um subtipo de menor risco. Além disso, a trombose emergiu como um fator de risco independente para a sobrevida global na população de jovens adultos, o que é uma descoberta nova que merece mais pesquisas. Até onde sabemos, este é o primeiro estudo focado especificamente na LLA-T em pacientes adultos da América Latina”, concluíram os autores.

Além de Silva, participaram do estudo os pesquisadores Diego Luz e Eduardo Magalhães Rego (ICESP/FMUSP); Bruno Kosa Lino Duarte (UNICAMP); Yve Oliveira e Jordana S. R. Aragao (INCA), Camila Piaia e Ires Bezerra Massaut (Centro de Pesquisas Oncológicas - CEPON); e Elvira Deolinda Rodrigues Pereira Velloso e Vanderson Rocha (Hospital das Clínicas/USP).

Referência: 4201 Long-Term Outcomes of T-Cell Acute Lymphoblastic Leukemia and Risk Factors for Survival in a Multicenter Registry Study from Brazil

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