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AtualizadoSex, 05 Jun 2020 9pm

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Coberturas Especiais

ASH 2019: Disparidades socioeconômicas em ensaios clínicos

Pesquisa 1 News OKTrabalho apresentado no ASH 2019 analisou quase 1,5 mil participantes de ensaios clínicos e demonstrou que crianças de regiões mais pobres tiveram probabilidade 2,4 vezes maior de morrer durante o tratamento para leucemia mieloide aguda (LMA) em comparação com aquelas que vivem em bairros de média e alta renda. Embora pesquisas anteriores tenham apontado disparidades raciais na sobrevivência ao câncer, o novo estudo é o primeiro a identificar o status socioeconômico como um contribuinte essencial para as disparidades entre crianças com LMA que foram incluídas em ensaios clínicos.

 

Os pesquisadores dizem que as descobertas são especialmente alarmantes, uma vez que os ensaios clínicos são projetados para fornecer tratamento consistente em todos os grupos participantes. Apesar do rigoroso cenário dos ensaios clínicos, os resultados sugerem que essas disparidades surgem de fatores externos à quimioterapia específica que é utilizada.

"Esperávamos que houvesse uma diferença, mas o grau de diferença é bastante substancial", disse a principal autora do estudo, Lena E. Winestone, do Hospital Infantil UCSF Benioff em San Francisco. "Quanto mais pessoas souberem das disparidades existentes, maior a probabilidade de combatê-las", acrescentou.

Pesquisadores do Hospital Infantil UCSF Benioff e do Hospital Infantil da Filadélfia examinaram dados de ensaios clínicos de crianças inscritas em dois estudos recentes de LMA (AAML1031 e AAML0531), e usaram dados do Censo dos EUA para determinar a renda média e escolaridade nos bairros dos pacientes. Eles descobriram que os fatores socioeconômicos da vizinhança eram preditores significativos de sobrevida, mesmo depois de considerar o tipo de seguro, a raça e os fatores de risco biológicos conhecidos. Enquanto cerca de 68% dos pacientes de áreas de média ou alta renda sobreviveram por cinco anos após o diagnóstico, essa proporção foi de 61% entre os pacientes de áreas de baixa renda e apenas 43% entre os pacientes que vivem na pobreza.

Uma proporção significativamente maior de pacientes negros e hispânicos vivia em áreas de pobreza, baixa renda e baixa nível de escolaridade. Os pesquisadores descobriram que a disparidade racial persistiu mesmo após considerar os fatores socioeconômicos da vizinhança, sugerindo que os pacientes negros enfrentam um risco significativamente maior de morte do que as crianças brancas que vivem em áreas do mesmo nível socioeconômico.

O estudo não determinou as razões por trás do aumento do risco de morte. Uma possibilidade é que o estresse tóxico, que tem sido associado a um nível socioeconômico mais baixo, possa afetar as respostas à quimioterapia ou a recuperação imunológica após a quimioterapia, observou Winestone. Os pesquisadores planejam examinar mais detalhadamente quando os pacientes morreram e a causa da morte, a fim de verificar se os riscos estão relacionados ao tratamento ou ao próprio câncer.

Além de chamar a atenção para as persistentes disparidades raciais e socioeconômicas nos resultados do câncer, os resultados também destacam possíveis dados adicionais a serem coletados como parte de ensaios clínicos. Segundo Winestone, seria útil se futuros ensaios clínicos coletassem dados individuais sobre o status socioeconômico dos participantes no momento da inscrição. "Reunir essas informações nos permitiria aprofundar a questão de como as circunstâncias fora dos aspectos clínicos da doença afetam os resultados de saúde", observou.

O estudo foi financiado por doações do National Institutes of Health/National Cancer Institute (NIH/NCI) ao Children’s Oncology Group, membro da NCI National Clinical Trials Network.

Referência: #703 Area-Based Socioeconomic Disparities in Survival of Children with Newly Diagnosed Acute Myeloid Leukemia: A Report from the Children’s Oncology Group
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