Oxibutinina no controle de fogachos em sobreviventes do câncer de mama

Roberto Leon Ferre SABCS2018 NET OKO tratamento com oxibutinina ajuda a reduzir a frequência e a intensidade de fogachos em mulheres que não podem fazer reposição hormonal, incluindo sobreviventes de câncer de mama. Os resultados do estudo foram apresentados por Roberto A. Leon-Ferre (foto), professor da Mayo Clinic, em Rochester, durante o 2018 San Antonio Breast Cancer Symposium.

A oxibutinina é um agente anticolinérgico, tipo de droga que interfere com a atividade de neurotransmissores no SNC e periférico. Este estudo procurou determinar se a oxibutinina era mais eficaz do que placebo no tratamento das ondas de calor e na melhoria da qualidade de vida. Os pesquisadores inscreveram 150 mulheres que experimentavam pelo menos 28 episódios de fogachos por semana durante mais de um mês, 62% em uso de tamoxifeno ou inibidor de aromatase.

As mulheres foram aleatoriamente designadas para receber 2,5 miligramas de oxibutinina duas vezes ao dia por seis semanas (Oxy2,5); 2,5 miligramas duas vezes por dia durante uma semana, com aumento subsequente para 5 miligramas duas vezes por dia (Oxy5) ou placebo.

Questionários que rastrearam a frequência e gravidade dos fogachos geraram escores calculados pelos pesquisadores. O estudo mostrou que os pacientes em ambas as doses de oxibutinina tiveram decréscimos nos seus escores de fogachos em comparação com o grupo placebo-controle.

As pacientes no braço Oxy2.5 tiveram uma mudança média no escore de fogachos de -10,6, comparado com -5,7 com placebo. Elas experimentaram 4,8 menos ondas de calor por dia, em comparação com 2,6 menos ondas de calor para as mulheres no braço placebo. Os efeitos colaterais para este grupo incluíram diarreia, boca e olhos secos, episódios de confusão mental e dificuldade para urinar, todos de gravidade leve.

Os pacientes no braço do Oxy5 tiveram uma mudança média na pontuação de -16,9 no escore de fogachos, com a média de 7,5 menos ondas de calor por dia. Os efeitos colaterais deste grupo incluíram constipação, boca seca e dificuldade em urinar. A taxa de descontinuação da oxibutinina devido a efeitos colaterais foi baixa para ambos os braços.

As mulheres em ambos os braços de oxibutinina também relataram melhora no desempenho no trabalho e em atividades sociais e de lazer, com melhoria no padrão de sono e na qualidade de vida em geral.

Em conclusão, o estudo estabelece que a oxibutinina é um medicamento eficaz para o tratamento de ondas de calor em pacientes que têm relativa ou absoluta contraindicações à terapia baseada em hormônios. “O fato de a oxibutinina não interferir no metabolismo do tamoxifeno é muito importante para sobreviventes de câncer de mama, como alguns dos tratamentos não hormonais mais eficazes”, disse Leon-Ferre.