06122020Dom
AtualizadoSex, 04 Dez 2020 6pm

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Daichii Sankyo

ASTRO 2020

Células tumorais circulantes e controle de metástases cerebrais do câncer de mama

douglas castro bxO médico rádio-oncologista Douglas Guedes de Castro (foto), do A.C.Camargo Cancer Center, é primeiro autor de estudo prospectivo que analisa a correlação entre as células tumorais circulantes (CTCs) e o controle de doença cerebral após radiocirurgia/radioterapia estereotática (SRT) nas metástases cerebrais de câncer de mama (MCCM). O trabalho foi selecionado para apresentação oral no ASTRO 2020 e reconhecido com o prêmio de Ciência Translacional.

Cerca de 25-45% das pacientes com câncer de mama metastático evoluem com metástases cerebrais. A radioterapia tem um papel importante no tratamento dessas metástases, e o dilema entre a indicação de radioterapia focal ou radioterapia holoencefálica é recorrente. Atualmente, essa decisão leva em conta fatores prognósticos clínicos relacionados à sobrevida global e ao risco de novas lesões cerebrais. ““Predizer o risco de progressão de doença cerebral distante precoce (PED) é um recurso útil e premente para a decisão terapêutica em pacientes candidatas ao tratamento local de metástases cerebrais. Nesse contexto, a biópsia líquida com análise das CTCs tem potencial aplicação clínica e podemos extrapolar, por exemplo, até para decisão entre tratamento focal com radiocirurgia ou cirurgia e a otimização do controle da doença em todo o cérebro com radioterapia ou mesmo novas opções de terapia sistêmica”, explica Castro.  

Os pesquisadores realizaram uma avaliação prospectiva do número de CTCs antes (CTC1) e 4-5 semanas após (CTC2) a SRT para MCCM e sua relação com o número de lesões sugestivas de MCCM (NL). A análise traz os resultados finais das 39 pacientes recrutadas e tratadas entre novembro de 2016 e fevereiro de 2018.

O objetivo primário foi avaliar a sobrevida livre de progressão cerebral distante (SLPED); sobrevida livre de progressão cerebral distante com envolvimento difuso (SLPED-ED), definida como progressão com mais de 4 novas metástases cerebrais ou carcinomatose meníngea, e sobrevida global (SG), também foram desfechos avaliados.

Resultados

A idade mediana foi 54 anos. O imunofenótipo do tumor primário foi HER2-positivo em 51%, luminal B em 31% e triplo negativo em 18% das pacientes. CTCs foram detectadas em todas as 39 pacientes antes da SRT, com CTC1 mediana de 2 CTC/mL. Após a SRT, as CTCs foram detectadas em 34 de 35 pacientes (4 mortes entre CTC1 e CTC2), com CTC2 mediana de 2,33 CTC/mL. Após um seguimento mediano de 16,6 meses, 15 pacientes evoluíram com PED em 6 meses, sendo 6 com PED-ED, e 16 foram a óbito.

A SLPED, SLPED-ED e a SG mediana foram 15,3, 14,1 e 19,5 meses, respectivamente. A incidência cumulativa, com morte como risco competitivo, de PED em 6 meses foi de 40% em pacientes com CTC1 ≤ 0,5 e 8,82% em pacientes com CTC1 > 0,5 (p = 0,007). O risco de PED-ED em 6 meses foi de 40% em pacientes com CTC1 ≤ 0,5 e 0 em pacientes com CTC1 > 0,5 (p = 0,005) e 25% em pacientes com NL/CTC1 > 6,8 e 2,65% com NL/CTC1 ≤ 6,8 (p = 0,063).

Na análise multivariada, a SLPED foi inferior em pacientes com CTC1 ≤0,5 CTC/mL (HR 8,27, 95% CI 2,12-32,3; p = 0,002) e superior em pacientes com tumores HER2-positivo (HR 0,128, 95% CI 0,025-0,534; p = 0,013). Os resultados também demonstraram que a SLPED-ED foi inferior em pacientes com CTC1 ≤0,5 CTC/mL (HR 10,22, 95% CI 1,99-52,41; p = 0,005), e a SG foi superior em pacientes com imunofenótipo HER2-positivo (HR 0,073, 95 % CI 0,018-0,288; p <0,0001) e luminal B (HR 0,224, 95% CI 0,062-0,816; p = 0,023), além de pacientes com NL/CTC1 ≤2,2 (HR 0,159, 95% CI 0,05-0,505; p = 0,002).

Em conclusão, as CTCs foram detectáveis ​​em quase todas as pacientes com MCC. “CTC1 foi um fator prognóstico independente de sobrevida livre de progressão cerebral distante (SLPED) e sobrevida livre de progressão cerebral distante com envolvimento difuso (SLPED-ED), e NL/CTC1 foi um fator prognóstico independente de sobrevida global (SG). “A relação com o número de lesões sugestivas MCCM detectadas antes da radioterapia (NL/CTC1) foi um potencial fator prognóstico de PED-ED em 6 meses. Esses dados sugerem que CTC1 e NL/CTC1 podem ter um papel como biomarcadores de PED precoce e ajudar a definir o momento e o tipo de radioterapia de resgate para otimizar o controle das metástases cerebrais de câncer de mama”, afirmaram os autores.

“Além da análise quantitativa das CTCs, realizamos uma análise qualitativa, que consistiu na verificação da expressão de algumas proteínas nas CTCs, além da associação com os desfechos de controle da doença encefálica. Esses achados serão apresentados em outra oportunidade. Este é um trabalho gerador de hipótese, e o próximo passo será validar os resultados em um número maior de pacientes”, conclui Castro.

O estudo está registrado em clinicaltrials.gov, NCT02941536.

Referência: Abstract 1128 - Final Results of a Prospective Correlative Analysis of Circulating Tumor Cells and Early Distant Brain Failure After Stereotactic Radiotherapy/Radiosurgery for Brain Metastases of Breast Cancer - D. G. Castro, C. Pellizzon, G. R. Gondim, M. L. G. Silva, M. J. Chen, R. C. Fogaroli, H. Ramos, T. M. Coelho, A. C. Scintini, A. C. Braun, C. R. Luiz, E. A. Abdallah, L. S. Yu, V. F. Calsavara, and L. T. D. Chinen 

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