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AtualizadoSeg, 23 Nov 2020 12pm

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Genes de suscetibilidade ao câncer de mama

Gabriela_ASCO_NET_OK.jpgGabriela Felix (foto), pesquisadora assistente do Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular da Universidade Federal da Bahia e doutoranda do Instituto Gonçalo Moniz, da Fiocruz-BA (com orientação da geneticista Kiyoko Abe-Sandes), apresentou na ASCO 2017 ­­­­­­­os resultados do estudo realizado em parceria com a oncologista Funmi Olopade, da Universidade de Chicago, que avaliou a frequência das variantes de significado clínico dos genes de suscetibilidade ao câncer de mama em mulheres afrodescendentes brasileiras (Abstract  1572).

“Na Bahia, assim como em boa parte do Nordeste brasileiro, a presença de afrodescendentes é maior e, infelizmente, é uma população pouco estudada”, avalia Gabriela.
 
O estudo avaliou o DNA germinativo de 292 mulheres (173 casos e 119 controles) e foi observada maior frequência de variantes de significado clínico entre os casos que entre os controles, o que foi estatisticamente significante (OR= 27.75 e p=0.008). Além das variantes nos genes BRCA1 e BRCA 2, foram observadas variantes de significado clínico também em BARD1, ATM, TP 53, PALB 2, SLX 4, PALB2, NBN, FAM175A e BRIP1.
 
“Os resultados mostram que o perfil de susceptibilidade genética ao câncer de mama da população afrodescendente do nordeste brasileiro é diferente das demais regiões do Brasil e essas diferenças precisam ser consideradas. Se uma mulher negra chega ao consultório de um oncologista com câncer de mama e história familiar, o teste genético não deve se limitar somente ao BRCA1 e BRCA2, outros genes de susceptibilidade também precisam ser considerados na investigação”, explica Gabriela. “Nesse caso, o uso de painel multigenes é um teste superior porque mais de um gene pode ser analisado. Embora o ideal fosse mesmo o sequenciamento do genoma”, acrescenta.

A pesquisadora lembra que a tecnologia de sequenciamento tem hoje um custo mais acessível e é uma ferramenta que pode auxiliar de forma significativa o oncogeneticista. “Essa pesquisa pode ter impacto importante na clínica mostrando a importância da medicina personalizada, pois existem variações entre populações e entre indivíduos”, destaca.
 
O estudo utilizou o painel BROCA de 28 genes, patenteado pela University of Washington, para avaliar o DNA germinativo das mulheres participantes do estudo. Esse painel multigene já foi validado e é conhecido pela sua alta qualidade de cobertura das regiões gênicas sequenciadas, onde cada base nucleotídica foi sequenciada 350x, além de outros fatores de controle de qualidade na interpretação de dados. “É importante também lembrar da qualidade do sequenciamento, pois existe variação entre as plataformas de sequenciamento, como também existem interferências do analisador. Quanto mais vezes for sequenciada o seguimento do DNA (sequencing deph), maior a chance daquele resultado representar de fato a realidade, e não um artefato analítico”, afirmou.
 
Segundo Gabriela, infelizmente ainda não há um protocolo padrão recomendado pelas agências de vigilância sobre quais parâmetros devem ser considerados na execução do sequenciamento, o que influencia na sensibilidade e especificidade analítica do teste genético, e torna a conduta do médico enviesada devido à baixa qualidade do teste, trazendo impacto para o paciente.
 
“Outros fatores, além do sequencing deph, também podem interferir na interpretação dos resultados do sequenciamento de nova geração e esse é um assunto que deve ser discutido urgentemente pela comunidade médica e assistencial, pois o teste genético encontra-se em popularização na comunidade brasileira. Contudo esse painel utilizado pelos pesquisadores do estudo foi validado em outras populações, e confirmado por um segundo teste, o sequenciamento de Sanger, “um padrão-ouro”, sinaliza.
 
Poster Board: #230 • Abstract  1572  
BROCA gene panel testing in African descendants from northeastern Brazil: Genetic susceptibility profile of an admixed population.
Gabriela Espirito Santo Felix, MsC - First Author
Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz Bahia
Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Bahia

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ASCO 2017 

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