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AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

MAPS-2: resultados iniciais da imunoterapia no mesotelioma

Pulmao_NET_OK_2.jpgOs primeiros resultados do estudo francês de fase II MAPS-2 sugerem que a imunoterapia pode retardar o crescimento do mesotelioma pleural maligno (MPM) após a recorrência. Os resultados apresentados na ASCO 2017 (LBA8507) mostraram que em doze semanas o câncer não piorou em 44% dos pacientes que receberam nivolumabe (Opdivo) e em 50% daqueles que receberam a combinação de nivolumabe e ipilimumabe (Yervoy). Segundo os autores, o MAPS-2 é o maior ensaio clínico de inibidores de checkpoint imune no mesotelioma até o momento.

As células do mesotelioma criam um microambiente tumoral para se proteger contra os ataques do sistema imunológico e até mesmo contra a resposta imune antitumoral. Portanto, terapias que alteram o microambiente tumoral de um estado de supressão imunológica para uma ativação imune podem ser promissoras no tratamento da doença.
 
"Nossos achados sugerem que a imunoterapia pode trazer uma nova esperança para os pacientes com mesotelioma recidivado", disse o principal autor do estudo, Arnaud Scherpereel, chefe do Departamento de Oncologia Pulmonar e Torácica do Hospital Universitário (CHU) de Lille, França. Este ensaio randomizado de fase II pode ser suficiente para apoiar o uso de inibidores de checkpoint neste cenário, mas ainda é cedo para concluir sobre a superioridade do nivolumabe isolado ou da combinação", acrescentou o especialista.
 
O mesotelioma pleural maligno é um câncer raro, mas sua incidência tem aumentado. Geralmente está associado à exposição ao amianto, que causa inflamação crônica, e demora cerca de 30 a 40 anos a partir da exposição ao amianto para o desenvolvimento. Os pacientes têm uma expectativa de vida mediana de apenas 13 a 15 meses, e todos os pacientes apresentam recorrência apesar da quimioterapia inicial, sendo que mais de 50% recidivam seis meses após a interrupção do tratamento.
 
“Embora o uso de amianto tenha sido banido nos Estados Unidos e em muitos países europeus, ainda é utilizado e extraído em muitos países em desenvolvimento. Por isso, a expectativa é de crescimento da incidência da doença nas próximas décadas", disse Scherpereel.
 
Sobre o Estudo
 
De março a agosto de 2016, o estudo randomizado, não comparativo, matriculou 125 pacientes com mesotelioma pleural maligno avançado de 21 centros. Os pacientes elegíveis tinham mais de 18 anos, PS 0-1, mesotelioma pleural maligno recidivado confirmado histologicamente após 1 ou 2 linhas de terapia anteriores, incluindo doublet de pemetrexed/platina, e doença mensurável.
 
A maioria dos pacientes (80%) era do sexo masculino, com idade média foi de 72 anos. O endpoint primário foi taxa de controle da doença em 12 semanas com revisão central independente cega (BICR).
 
Os pacientes foram randomizados aleatoriamente (1:1) para tratamento com nivolumabe isolado (3 mg/kg q2w) ou nivolumabe com ipilimumabe (nivo 3 mg/kg q2w + Ipi 1 mg/kg q6w) até a progressão da doença ou toxicidade inaceitável. 70% dos pacientes receberam pelo menos três ciclos de ambos os tratamentos.
 
Principais resultados
 
Foram apresentados os resultados dos primeiros 108 pacientes tratados no estudo. A taxa de controle de doença (DCR), definida como a porcentagem de pacientes em que o câncer encolheu ou não cresceu, foi de 44% entre os pacientes que receberam apenas nivolumabe (95% CI: 29,4-55,8%) e 50% entre aqueles que receberam nivolumabe e ipilimumabe (38,5 - 65,2%). Os tumores diminuíram em 17% dos pacientes tratados com nivolumabe e 26% dos pacientes tratados com a combinação.
 
Após um seguimento médio de 10,4 meses dos 125 pacientes, o tempo médio até a progressão do câncer (sobrevida livre de progressão) foi de 4 meses com nivolumabe e 5,6 meses com nivolumabe e ipilimumabe. A mediana de sobrevida global foi de 10,4 meses no grupo nivolumabe e não alcançada no grupo da combinação (o que significa que mais de 50% dos pacientes estavam vivos no momento da análise). Os dados maduros de qualidade de vida ainda não estão disponíveis.
 
As toxicidades de todos os graus foram ligeiramente maiores no braço combinado (86,9%) versus nivo isolado (77,8%). Eventos adversos graves foram mais comuns no grupo da combinação (18% vs. 10%), com três óbitos relacionados ao tratamento (1 encefalopatia metabólica, 1 hepatite fulminante, 1 insuficiência renal aguda).
 
Outros estudos em andamento estão explorando o nivolumabe e outros inibidores de checkpoint imune como tratamento de segunda ou terceira linha para o mesotelioma pleural maligno. Além disso, também estão em curso vários ensaios clínicos maiores que investigam os inibidores de checkpoint como terapia inicial para a doença.
 
O estudo foi financiado pela Bristol-Myers Squibb.
 
Informações do ensaio clínico: NCT02716272
 
Referências: Abstract LBA8507: Second- or third-line nivolumab (Nivo) versus nivo plus ipilimumab (Ipi) in malignant pleural mesothelioma (MPM) patients: Results of the IFCT-1501 MAPS2 randomized phase II trial. - Arnaud Scherpereel et al - Citation: J Clin Oncol 35, 2017 (suppl; abstr LBA8507)

Leia mais: Imunoterapia para o mesotelioma maligno de pleura
 
Estudo da ASCO chama a atenção para o câncer e a saúde ocupacional

ASCO 2017
 

 

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