23112020Seg
AtualizadoSeg, 23 Nov 2020 12pm

Conheça o Podcast Onconews no Spotfy

ASCO GI: inibidores de PD-1 em tumores do trato digestivo

FabioKater_NET_OK_2.jpgFabio Kater (foto), médico do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, comenta os estudos que avaliaram a terapia anti PD-1 em diferentes tipos de câncer do trato digestivo. O CHECKMATE 032 apresentou resultados encorajadores do uso do nivolumabe em pacientes com câncer gástrico ou de junção gastroesofágica avançado ou metastático, enquanto o estudo KEYNOTE 028 avaliou o pembrolizumabe em câncer de esôfago com expressão de PD-L1.

O CHECKMATE 032 considerou 59 pacientes com câncer gástrico ou de junção gastroesofágica avançado ou metastático e apresentou na ASCO GI resultados encorajadores do uso de nivolumabe nesse cenário da doença. O estudo KEYNOTE 028 avaliou pembrolizumabe, outra droga inibidora do PD-1, desta vez exclusivamente em pacientes com câncer de esôfago com expressão de PD-L1 confirmada por imunohistoquímica.

Checkmate 032

Os tumores gástricos e da transição gastroesofágica avançados ou metastáticos guardam prognóstico reservado, com sobrevida em 1 ano menor que 30%. 

Os inibidores de PD-1 têm sido testados em vários cenários de doenças progressivas e nesse estudo de fase I/II os tumores gástricos ou gastroesofágicos foram expostos, independente do status do PD-L1.
 
A dose do nivolumab utilizada foi a de 3mg/Kg a cada 2 semanas, até progressão ou toxicidade limitante. O objetivo primário foi taxa de resposta.
Cinquenta e nove pacientes foram testados.  A idade média era de 60 anos e 83% dos pacientes já tinham recebido mais que 2 linhas.
 
A taxa de resposta foi de 14% (2% resposta completa e 12% parcial). Doença estável ocorreu em 19% e a taxa de controle de doença foi de 32%. A sobrevida mediana foi de 6,8 meses com 38% dos pacientes vivos em 1 ano. 39% dos pacientes eram PD-L1 positivos (sendo considerado positivo como acima de 1%) e a taxa de resposta nesse grupo foi de 18% contra 12% dos negativos.
 
Algum efeito colateral aconteceu em 66% dos pacientes, sendo a maior parte graus 1 e 2. Toxicidade graus 3 e 4 ocorreu em 14% dos pacientes: pneumonite, fadiga, diarreia, vômito, hipotireoidismo, elevação de TGO e fosfatase alcalina, o que não foi diferente das outras histologias.
 
Conclusão: o nivolumab monoterapia em pacientes pré tratados é bem tolerado e ativo. 

Keynote 028 

No mesmo cenário de pacientes altamente tratados, agora o bloqueio da via do PD-1 foi feito com o pembrolizumab, outra droga inibidora do PD-1 exclusivamente em pacientes com câncer de esôfago, seja adenocarcinoma ou carcinoma espinocelular. Os pacientes precisavam obrigatoriamente expressar o PD-L1 no tumor, por imunohistoquímica.
 
A dose de pembrolizumab utilizada foi de 10mg/kg a cada 2 semanas por 2 anos ou progressão ou toxicidade.  O objetivo primário foi taxa de resposta. Foram incluídos 23 pacientes com idade mediana de 65 anos, sendo 73,9% espinocelular e 87% já tinham recebido pelo menos 2 linhas de tratamento. A taxa de resposta foi de 30,4%, além de 13% de doença estável. Nove pacientes ( 39,1%) experimentaram alguma toxicidade, sendo 17,4% ( 4 pacientes ) grau 3.
 
A conclusão é que pembrolizumab nessa população é altamente ativo e bem tolerado.
 
Em perspectiva:
 
Se compararmos os estudos de nivolumab com pembrolizumab podemos notar algumas diferenças. O nivolumab incluiu estômago também e não obrigava os pacientes a expressarem PD-L1. Apesar de taxas de respostas semelhantes, parece que o pembrolizumab é mais ativo nessa população selecionada. Ademais, a testagem do PD-L1 no estudo do pembrolizumab era feita por kit único aprovado para essa indicação, o que refina a seleção. Se considerarmos apenas a população com positividade para PD-L1 acima de 5% no estudo do nivolumab, a taxa de resposta vai para 33% versus 15% dos que marcam < 5%.
 
Independente da taxa de resposta, a sobrevida no estudo do nivolumab é interessante já que os pacientes podem continuar a responder independentemente do tipo de resposta. Faltam os dados de sobrevida do pembrolizumab. No estudo Checkmate 032, a sobrevida em 1 ano foi de 36%, e se comparamos com o Keynote -12 ( pacientes apenas com carcinoma gástrico), a sobrevida nesse estudo em 11 meses foi de 50%, deixando as curvas de sobrevida de ambos interessantes.
 
Se compararmos com outros estudos de segunda e terceira linhas em câncer esôfago-gástrico, que utilizaram docetaxel, irinitecano, FOLFIRI ou paclitaxel, percebemos sobrevida mediana que varia entre 5 a 8 meses, com taxa de resposta entre 15% e 25%, às custas de maior toxicidade nessa população mais frágil.
 
Se compararmos com drogas-alvo, portanto menos tóxicas, como ramucirumab ou regorafenib, conseguimos observar sobrevida mediana da ordem de 5,5 meses, bastante semelhantes.
 
Portanto, os inibidores de PD-1 são drogas altamente ativas numa população de câncer esôfago-gástrico altamente tratada, porém com alternativas dentro da disponibilidade da indicação.
 

Publicidade
banner pfizer 2018 institucional 300x250px
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
Astrazeneca
Publicidade
IBCC
Publicidade
300x250 ad onconews200519