56ª ASTRO e a radioterapia no tratamento do câncer

Nota4_ESTRO_Radiotherapy_2_OK.jpgO presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Robson Ferrigno, comenta alguns dos destaques da 56ª ASTRO, a reunião anual da American Society for Radiation Oncology, realizada de 13 a 17 de setembro no Moscone Center, em San Francisco. 

Em perspectiva, os resultados do RTOG 0621 no câncer de próstata de alto risco tratado com prostatectomia radical, além do estudo holandês que comprova o benefício da radioterapia nos pacientes com câncer de pulmão de pequenas células com apresentação localmente extensa ao diagnóstico e que responderam à quimioterapia.

1- Adjuvant Radiation, Androgen Deprivation, and Docetaxel for High-risk Prostate Cancer Pos prostatectomy: Results of RTOG 0621

O trabalho foi apresentado no domingo, 14 de setembro na sessão de “Clinical Trials” por Mark D. Hurwitz, da Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia. O estudo RTOG 0621 é um estudo fase II criado para melhorar os resultados dos pacientes com câncer de próstata de alto risco previamente tratados com prostatectomia.

Os fatores para classificação de alto risco incluem: PSA nadir > 0,2 e Índice de Gleason ≥ 7 ou PSA nadir ≤ 0,2 com Índice de Gleason ≥ 8 e estádio ≥ pT3. Os pacientes (n=76) foram tratados, após a cirurgia, com seis meses de bloqueio hormonal e radioterapia com dose de 45 Gy na pelve para tratamento das drenagens linfáticas, seguida de complementação na loja prostática (boost) até 66,6 Gy.

Um mês após o término da radioterapia e do bloqueio hormonal, os pacientes foram tratados com seis ciclos de quimioterapia com docetaxel com dose de 75 mg/m2 a cada 21 dias. O objetivo primário foi verificar se a adição de bloqueio hormonal e quimioterapia poderia melhorar os resultados de sobrevida livre de progressão para 70% em três anos, superior aos níveis históricos de 50%.

Com seguimento mediano de 47 meses, a sobrevida livre de progressão em três anos foi de 71% (IC 95% = 61% a 81%) e com toxicidade aceitável, mostrando que o resultado atingiu o objetivo primário estabelecido. Portanto, há necessidade de um estudo prospectivo e de fase III para testar a combinação ou não da terapia sistêmica à radioterapia nos pacientes com câncer de próstata de alto risco tratados com prostatectomia radical.

2- International Multicenter Randomized Study on Thoracic Radiation Therapy (RT) in Extensive Stage Small Cell Lung Cancer (ES-SCLC): Patterns of Disease Recurrence

Esse estudo também foi apresentado na sessão “Clinical Trials”, por Ben J Slotman, da Universidade de Amsterdam, e teve como principal objetivo avaliar o valor da radioterapia na região torácica após resposta à quimioterapia com quatro a seis ciclos de cisplatina e etoposide. Os pacientes foram randomizados para receber dose de 30 Gy em 10 frações na região torácica para tratamento da doença loco-regional ou para não receber radioterapia torácica.

Foram randomizados 495 pacientes, sendo 247 para o braço com radioterapia e 248 para o braço controle. Com seguimento mediano de 24 meses, a taxa de recaída torácica como primeiro sítio de recaída foi 47,7% entre os pacientes irradiados e de 77,8% nos que não receberam radioterapia (p<0,001). A sobrevida livre de progressão foi maior nos pacientes que receberam radioterapia (HR = 0,73, IC=0,61-0,87; p=0,001). A sobrevida global em dois anos foi de 13% nos pacientes irradiados e de 3% nos não irradiados (p=0,004).

O estudo comprova o benefício de utilizar a radioterapia nos pacientes com câncer de pulmão de pequenas células com apresentação localmente extensa ao diagnóstico e que responderam à quimioterapia. Houve melhora da sobrevida livre de progressão e da sobrevida global em dois anos, bem como diminuição da recaída loco-regional.

Os resultados desse estudo corroboram com o que já fazemos na prática, ou seja, consolidação com radioterapia na área de apresentação da doença, mesmo em apresentação inicial localmente extensa.