15122018Sáb
AtualizadoQui, 13 Dez 2018 4pm

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Survey revela como os oncologistas usam a NGS

Casali BxO objetivo foi investigar como os oncologistas usam testes de sequenciamento de próxima geração (NGS) no tratamento dos pacientes nos Estados Unidos. Os resultados estão em artigo de Freedman et al., na JCO Precision Oncology. Quem comenta é o oncogeneticista José Claudio Casali (foto), do Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão (GBOP). O estudo utilizou dados de um inquérito nacional (National Survey of Precision Medicine in Cancer Treatment) realizado em 2017 com um número representativo de oncologistas (N = 1.281; taxa de respondentes = 38%).

 

Resultados

No geral, 75,6% dos oncologistas relataram o uso de NGS para orientar as decisões de tratamento. Desse total, 34% utilizaram os testes de sequenciamento para orientar decisões em pacientes com doença refratária avançada, 29,1% para determinar a elegibilidade para estudos clínicos e 17,5% para decidir sobre o uso off-label de medicamentos aprovados pelo Food and Drug Administration.

Em relação aos resultados obtidos, 26,8% dos oncologistas declararam que os teste realizados subsidiaram com frequência as recomendações de tratamento; para 52,4% dos oncologistas os testes serviram às vezes para embasar recomendações e 20,8% dos oncologistas ouvidos pela pesquisa disseram que nunca ou raramente os resultados de NGS apoiam recomendações.

Em relação ao perfil do especialista, os oncologistas com menos de 50 anos de idade, com atividade docente, treinamento em genômica e que atendem mais de 50 pacientes por mês foram mais propensos a usar testes de NGS.

Em conclusão, a maioria dos oncologistas nos Estados Unidos usou testes de NGS para orientar as decisões de tratamento. Para os autores, mais pesquisas são necessárias para estabelecer a utilidade clínica desses testes e desenvolver diretrizes clínicas baseadas em evidências para uso na prática, assegurando que os pacientes possam se beneficiar dos tratamentos apropriados.

Confira abaixo a análise do oncogeneticista José Claudio Casali:

NGS e a oncologia de precisão

O sequenciamento de nova geração (NGS) se tornou nos últimos anos a principal ferramenta diagnóstica molecular em todas as especialidades médicas para diagnóstico de mutações germinativas e somáticas. A Oncologia clínica em especial, teve enormes avanços na oncogenética e na farmacogenética, possibilitando a análise simultânea de dezenas a milhares de genes em poucos dias. Como um pescador que antes pescava com vara, hoje, com o NGS, pescamos com rede, o que barateou enormemente os custos dos testes genéticos. 

O survey avaliou o uso do NGS nas decisões terapêuticas do oncologista, num país onde o acesso à tecnologia está disponível de costa a costa e quase sempre com cobertura pelas fontes pagadoras. Não surpreendentemente, grande parte dos oncologistas já utiliza essa tecnologia por lá, principalmente para respaldar suas decisões terapêuticas. No entanto, no caso de doença refratária aos tratamentos convencionais e no caso de tumores raros, onde o teste genômico potencialmente pode revelar marcadores para uso de medicamentos fora de bula (off-label), a utilização ainda é modesta. Isso nos leva a reflexões das barreiras para o uso do NGS para os oncologistas, como a carência de educação em oncogenética e genômica, o fato de que nem sempre o achado do potencial "alvo" representa eficácia terapêutica e as barreiras ao acesso off-label. 

No Brasil, o Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão (GBOP) e a Associação Brasileira de Medicina Personalizada e de Precisão (abmpp.org) vêm trazendo essa discussão em nosso meio, como forma de facilitar o acesso a terapias potencialmente eficazes, preferencialmente de forma não judicializada. Julgamentos à parte, a indústria farmacêutica vem promovendo educação continuada aos médicos oncologistas, especialmente para os que estão fora dos grandes centros, obviamente atrelada aos seus interesses próprios. Os protocolos de pesquisa clínica exigem que médicos utilizem testes genéticos sem entenderem as bases moleculares.

Em resumo, a então denominada "oncologia de precisão" terá o enorme desafio de encontrar meios não judiciais para a promoção da saúde integrativa, onde médicos, biólogos, enfermeiros, farmacêuticos, entre outros, juntamente com as fontes pagadoras, possam beneficiar efetivamente o paciente oncológico com estratégias terapêuticas mais precisas e economicamente viáveis.

Referências: Use of Next-Generation Sequencing Tests to Guide Cancer Treatment: Results From a Nationally Representative Survey of Oncologists in the United States. DOI: 10.1200/PO.18.00169 JCO Precision Oncology - published online November 13, 2018.


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