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AtualizadoSáb, 20 Out 2018 9pm

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Efeitos da quimioterapia adjuvante na função cognitiva de sobreviventes de câncer colorretal

Rachel 3 NET OKEstudo prospectivo realizado por pesquisadores brasileiros buscou avaliar os efeitos da quimioterapia adjuvante sobre o desempenho cognitivo de pacientes com câncer colorretal localizado. Liderado pela oncologista Rachel Riechelmann (foto), Diretora de Pesquisa do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG) e Diretora do Departamento de Oncologia do A.C. Camargo Cancer Center, o estudo mostrou que pacientes que receberam fluorouracil adjuvante com ou sem oxaliplatina apresentaram declínio na função cognitiva após 12 meses do tratamento em comparação com pacientes que não receberam quimioterapia. O trabalho é tema da tese de doutorado da geriatra Manuela Castro, pela Faculdade de Medicina da USP, e será publicado no periódico Clinical Colorectal Cancer.

 

O comprometimento cognitivo relacionado à quimioterapia (CRCI) pode ocorrer após o tratamento em sobreviventes de câncer, especialmente naqueles que receberam quimioterapia para câncer de mama. A frequência e até que ponto essa toxicidade se desenvolve nos sobreviventes do câncer colorretal ainda é desconhecida.

No estudo, pacientes com câncer colorretal estádios II e III realizaram avaliações neuropsicológicas, responderam questionários de queixas cognitivas e foram submetidos a avaliação dos sintomas depressivos antes do início da quimioterapia adjuvante à base de fluoropirimidina (t1) e após 12 meses (t2). Amostras de sangue foram coletadas para a genotipagem da apolipoproteína E (APOE) e imagens de difusão por ressonância magnética (do inglês, DTI - Diffusion tensor imaging) foram adquiridas de um subgrupo de participantes em ambos os momentos.

Resultados

De dezembro de 2012 a dezembro de 2014, 137 pacientes foram avaliados, e 85 incluídos no estudo. Com base na recomendação padrão para terapia adjuvante para CCR, 49 pacientes receberam quimioterapia (CTh+) e 26 não receberam (CTh-). A média de idade foi de 62,5 anos (SD 9,4), 60% eram do sexo masculino e o nível educacional médio foi de 7,6 anos (SD 3,7) anos.

Nenhuma diferença foi encontrada no escore composto global (p = 0,38), atenção (p = 0,84) ou memória (p = 0,97) entre os dois grupos durante o acompanhamento (mediana de 375 dias, SD 29). No entanto, houve uma diferença significativa na função executiva após o ajuste para idade, sexo, educação e sintomas depressivos no baseline (β -1.80; 95% CI -3.50; - 0.11, p = 0.04), sugerindo pior desempenho cognitivo para o grupo CTh+. Em 32 pacientes submetidos à ressonância magnética, não se observou alterações entre os grupos, e polimorfismos da APOE também não foram preditivos de disfunção cognitiva.

“Nosso estudo mostrou que a quimioterapia adjuvante para câncer colorretal com fluorouracil, com ou sem oxaliplatina, pode causar declínio na função executiva após 12 meses do início do tratamento e afetar a qualidade de vida dos sobreviventes. Se nossos achados forem confirmados em estudos futuros, o risco de comprometimento cognitivo relacionado à quimioterapia deve ser discutido com os pacientes ao recomendar a quimioterapia adjuvante para o CCR. Esse dado, inclusive, favorece três meses de quimioterapia adjuvante, em vez de seis meses, em pacientes com câncer colorretal estádio III”, afirmou Rachel.

O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Bolsa 2013/00895-8.

Referência: Sales MVC, Suemoto CK, Apolinazrio D, Serrao VT, Andrade C, Conceição D, Amaro Junior E, Melo B, Riechelmann R, The Effects of Adjuvant Chemotherapy on the Cognitive Function of Patients with early stage Colorectal Cancer, Clinical Colorectal Cancer (2018), doi: https:// doi.org/10.1016/j.clcc.2018.09.002.


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