21112018Qua
AtualizadoQua, 21 Nov 2018 12am

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JACOB: estudo discute bloqueio HER2 no câncer gástrico ou JEG

Duilio NET OKEstudo com participação brasileira avaliou a eficácia e segurança de pertuzumabe versus placebo em combinação com trastuzumabe e quimioterapia como primeira linha de tratamento em pacientes com câncer gástrico metastático HER2+ ou com tumores de junção esofagogástrica (JEG) HER2+. Os resultados estão em artigo de Tabernero, J et al, no Lancet Oncology e não mostram ganho significativo de sobrevida no braço experimental. O oncologista Duílio Reis da Rocha Filho (foto), chefe do serviço de oncologia clínica do Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará, e consultor científico do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG), analisa os resultados.

JACOB é um estudo multicêntrico, randomizado, de fase 3, duplo-cego, controlado por placebo, que inscreveu pacientes de 197 instituições, em 30 países. Foram elegíveis pacientes adultos com câncer gástrico ou JEG metastático HER2+, doença não mensurável no baseline, com status de desempenho ECOG entre 0 eu 1 e fração de ejeção basal do ventrículo esquerdo de 55% ou mais.  

Os pacientes foram randomizados (1: 1) para receber pertuzumabe (840 mg por via intravenosa) ou placebo associado a trastuzumabe (8 mg/kg de dose inicial, depois 6 mg/kg a cada 3 semanas por via intravenosa), mais quimioterapia (cisplatina 80 mg/m² a cada 3 semanas intravenosa, capecitabina 1000 mg/m² via oral duas vezes ao dia [2000 mg/m² a cada 24 h], totalizando 28 doses a cada 3 semanas, ou 5-fluorouracil 800 mg/m² a cada 24 h por via intravenosa, a cada 3 semanas. O endpoint primário foi sobrevida global na população por intenção de tratar.

Resultados

Os autores descrevem que entre 10 de junho de 2013 e 12 de janeiro de 2016 foram elegíveis 780 pacientes, designados aleatoriamente para pertuzumabe + trastuzumabe e quimioterapia (N= 388) ou placebo + trastuzumabe e quimioterapia (grupo controle, N = 392).

Após acompanhamento pela mediana de 24,4 meses no grupo pertuzumabe e 25,0 meses no grupo controle, os pesquisadores reportaram 242 mortes no braço experimental e 262 mortes no braço controle, com sobrevida global mediana respectivamente de 17, 5 meses versus 14, 2 meses (HR= 0, 84 [95% CI 0 · 71 - 1 · 00]; p = 0,057).

Em relação ao perfil de segurança, eventos adversos graves ocorreram em 175 (45%) dos 385 pacientes do grupo pertuzumabe e em 152 (39%) dos 388 pacientes no grupo controle. A diarreia foi o evento adverso grave mais comum em ambos os grupos (4% dos pacientes no grupo pertuzumabe vs 5% do grupo controle). Eventos de graus 3-5 mais comuns foram neutropenia (30% dos pacientes no grupo pertuzumabe vs 28% do grupo controle), anemia (15% vs 17%) e diarreia (13% vs 25%). Mortes relacionadas ao tratamento ocorreram em sete (2%) pacientes no grupo controle; nenhuma morte relacionada ao tratamento ocorreu no grupo pertuzumabe.

Em conclusão, a adição de pertuzumabe a trastuzumabe e à quimioterapia não melhorou significativamente a sobrevida global de pacientes com câncer gástrico ou de junção esofagogástrica metastático HER2-positivo em comparação com placebo.

“Nosso estudo sugere que existem diferenças intrínsecas na biologia tumoral do câncer gástrico avançado HER2 positivo e do câncer de mama HER2 positivo, incluindo potenciais diferenças no papel do HER2 na progressão doença”, concluem os autores.

Duílio explica que o estudo ToGA, publicado em 2010, mostrou que a adição de trastuzumabe ao regime de primeira linha com cisplatina e fluoropirimidina aumentou a sobrevida mediana dos pacientes com câncer gástrico avançado de 11,1 meses para 13,8 meses (p=0,0046) (Bang et al, Lancet 2010). “O estudo lançou a sugestão de que estratégias anti-HER2 poderiam ter um papel no câncer gástrico semelhante ao observado em câncer de mama”, diz.

Por outro lado, as evidências científicas apresentadas desde então indicam que a via de sinalização de HER2 tem importância diferente nas duas doenças. “Estudos de primeira e segunda linha mostraram que não há papel para lapatinibe ou T-DM1 no manejo do câncer gástrico. De forma similar, não há evidência de que a manutenção do bloqueio com trastuzumabe após a falha à primeira linha é benéfica para os doentes”, acrescenta.

“O estudo JACOB reforça a impressão de que o ganho oferecido por agentes anti-HER2 no câncer de estômago é limitado, e que novos alvos moleculares ou novas formas de seleção dos pacientes devem ser buscados”, conclui.

Este estudo está registrado na plataforma Clinicaltrials (NCT01774786) e foi patrocinado pela F. Hoffmann-La Roche Ltda.

Referência: 
Tabernero, J., Hoff, P. M., Shen, L., Ohtsu, A., Shah, M. A., Cheng, K., … Kang, Y.-K. (2018). Pertuzumab plus trastuzumab and chemotherapy for HER2-positive metastatic gastric or gastro-oesophageal junction cancer (JACOB): final analysis of a double-blind, randomised, placebo-controlled phase 3 study. The Lancet Oncology. doi:10.1016/s1470-2045(18)30481-9


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