21112018Qua
AtualizadoQua, 21 Nov 2018 12am

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Quimioterapia neoadjuvante em dose densa no câncer de bexiga

FABIO SCHUTZ LACOG GU NET OKQual regime de quimioterapia neoadjuvante está associado aos melhores resultados para pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo? Uma análise de coorte publicada no JAMA Oncology avaliou o downstaging e a resposta completa de 1113 pacientes submetidos à cistectomia que receberam quimioterapia neoadjuvante. “Este é um importante estudo retrospectivo que demonstra a potencial vantagem do uso do esquema M-VAC dose densa (ddM-VAC; metotrexato, vinblastina, doxorrubicina e cisplatina) neoadjuvante sobre outros esquemas de quimioterapia”, afirma Fábio Schutz (foto), oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

A quimioterapia neoadjuvante seguida por cistectomia radical melhora a sobrevida em comparação com a cistectomia isolada para pacientes com câncer de bexiga. Embora a gemcitabina com cisplatina tenha se tornado o esquema neoadjuvante padrão, uma combinação dose-densa de metotrexato, vinblastina, doxorrubicina e cisplatina (ddMVAC) vem sendo adotada em algumas instituições e pode levar a melhores desfechos.

Foram examinados dados de registros médicos de 1113 pacientes com câncer de bexiga submetidos a cistectomia no Moffitt Cancer Center em Tampa, Flórida, entre 1º de janeiro de 2007 e 31 de maio de 2017. Havia 824 pacientes com doença estágio ≥T2; destes, 332 foram tratados com quimioterapia neoadjuvante, enquanto 329 não receberam quimioterapia e 163 receberam quimioterapia de indução ou adjuvante. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (n= 861; 77,4%), brancos (n= 1051; 94,4%); a mediana de idade (intervalo interquartil) foi de 67 anos (60-74). Os pacientes foram comparados com base no tipo de quimioterapia neoadjuvante, e aqueles que não receberam tratamento neoadjuvante foram incluídos como controles.

Os pesquisadores avaliaram o downstaging, resposta completa e sobrevida global com MVAC dose densa e outros regimes de quimioterapia neoadjuvante, além de cirurgia isolada.

Resultados

Dos 824 pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo, 332 (40%) receberam quimioterapia neoadjuvante; entre esses pacientes, 204 (61,4%) receberam o padrão gemcitabina e cisplatina, 32 (10%) receberam gemcitabina associada a carboplatina e 46 (14%) receberam MVAC em dose densa, enquanto os outros 50 pacientes (15,1%) receberam outros esquemas quimioterápicos como etoposido, fluorouracil, and paclitaxel.

As taxas de downstaging foram 52,2% para ddMVAC, 41,3% para gemcitabina + cisplatina e 27,0% para gemcitabina + carboplatina. As taxas de resposta completa (pT0N0) foram 41,3% para ddMVAC, 24,5% para gemcitabina+cisplatina e 9,4% para gemcitabina+carboplatina (2-sided; p < .001). A análise ajustada comparando ddMVAC com gemcitabina+cisplatina demonstrou uma maior probabilidade de downstaging (odds ratio [OR], 1,84, 95% CI, 1,10-3,09) e resposta completa (OR, 2,67, 95% CI, 1,50-4,77) com ddMVAC.

“O estudo mostrou que o esquema ddM-VAC apresentou maior probabilidade de downstaging e de resposta patológica completa, até mesmo quando comparado com o esquema gemcitabina-cisplatina”, observa Schutz.

Pacientes que receberam a combinação em dose densa tiveram melhor sobrevida global do que aqueles tratados com outros regimes, embora o benefício de sobrevida observado não tenha alcançado significância estatística em modelos ajustados ou de propensão combinada (hazard ratio, 0,44; 95% IC, 0,14-1,38; p = .16).

Em conclusão, o estudo sugere que MVAC dose densa neoadjuvante seguido de cistectomia está associado a uma taxa de resposta completa mais alta (ypT0N0) do que o padrão atual de neoadjuvância. Mais estudos são necessários para investigar o MVAC em dose densa de forma prospectiva e randomizada.

“É importante lembrar que o esquema ddM-VAC apresenta densificação da dose apenas das drogas mais ativas (cisplatina e doxorrubicina), com 70mg/m2 e 30mg/m2 a cada 2 semanas (comparado com a cada 4 semanas do esquema M-VAC clássico), ou seja, uma dose-densidade 2x maior em comparação com o esquema M-VAC clássico. Por outro lado, as drogas menos ativas (metotrexate e vimblastina) na realidade sofrem uma diminuição da dose densidade de 33%, pois as doses destas drogas nos D15 e do D21 são abolidas”, explica o oncologista.

O especialista acrescenta que para conseguir densificar as drogas cisplatina e doxorribicina, é necessário fazer uso de fator de crescimento de colônia de granulócitos. “Por todos estes motivos, a tolerância e o perfil de toxicidade do esquema ddM-VAC é melhor do que o esquema M-VAC clássico”, diz.

Outra possível vantagem do esquema ddM-VAC é o menor tempo para se completar os 4 ciclos de quimioterapia, além da possibilidade de proceder à cistectomia radical. “Para mim, é animador ver este estudo, pois considero na minha prática o esquema ddM-VAC como o esquema de preferência, tanto no cenário metastático de primeira linha quanto para o cenário (neo)adjuvante, conclui.

Entre as limitações do trabalho estão o desenho retrospectivo e a pequena população de pacientes no grupo dose densa, o que limita o poder estatístico do estudo.

O estudo foi parcialmente financiado pelo National Cancer Institute através do H. Lee Moffitt Cancer Center & Research Institute.

Referência:
Downstaging and Survival Outcomes Associated With Neoadjuvant Chemotherapy Regimens Among Patients Treated With Cystectomy for Muscle-Invasive Bladder Cancer - Charles C. Peyton et al - JAMA Oncol. Published online August 30, 2018. doi:10.1001/jamaoncol.2018.3542


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