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AtualizadoTer, 23 Out 2018 3am

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Trauma de infância e sintomas emocionais no câncer de cabeça e pescoço

Bruna Daniel UNESPEstudo de pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Unesp (Universidade Estadual Paulista) demonstrou que eventos traumáticos na infância são preditivos de estadiamento clínico avançado, consumo de álcool e sintomas emocionais em pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço. Publicado na Cancer, periódico da American Cancer Society, o trabalho é o primeiro a avaliar a influência do trauma infantil sobre os níveis de ansiedade em pacientes com câncer de cabeça e pescoço e sugere a importância de considerar a história de vida do paciente nas estratégias de intervenção clínica e psicológica durante o tratamento. Bruna Amélia Sarafim-Silva e Daniel Galera Bernabé (foto), autores do trabalho, comentam os achados.

“A avaliação dos eventos traumáticos ocorridos no período infantil pode ser decisiva na compreensão dos mecanismos neuropsicológicos relacionados ao abuso de álcool e aos sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com câncer”, observa a psicóloga Bruna Amélia Sarafim-Silva, autora do estudo, sob orientação do professor Daniel Galera Bernabé, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Psicossomática do Centro de Oncologia Bucal da Universidade.

O estudo incluiu 110 pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (câncer de boca, orofaringe ou laringe) do Centro de Oncologia Bucal da Unesp, em Araçatuba, São Paulo, antes de iniciar o tratamento de câncer. Foram avaliados dados clínico-patológicos, psicológicos e biocomportamentais dos pacientes. Os níveis de ansiedade e depressão foram avaliados com os Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck. O Childhood Trauma Questionnaire foi utilizado para avaliar a ocorrência de eventos traumáticos na infância, com perguntas específicas para cinco subtipos de trauma: negligência física; negligência emocional; abuso físico; abuso emocional; e abuso sexual.

Resultados

Cento e cinco pacientes (95,5%) apresentaram pelo menos um tipo de trauma infantil. A negligência emocional foi o trauma infantil mais relatado (43,8%), e a regressão múltipla revelou que foi uma variável independente para o estadiamento clínico avançado (β = 2,15, P = 0,048) e maior consumo de álcool (β = 2,32, P = 0,031). Pacientes com CEC de cabeça e pescoço que sofreram mais eventos traumáticos na infância tiveram uma chance quase 12 vezes maior de aumentar os níveis de depressão durante o período pré-tratamento (β = 11,89; p = 0,0002). A ocorrência de negligência física da criança foi um fator preditivo para o aumento dos níveis de ansiedade (β = 4,17, P = 0,029).

“O estudo salienta que a história de vida do paciente com câncer, incluindo suas memórias traumáticas e sentimentos derivados, deve ser considerada pela equipe de saúde durante o tratamento”, conclui Daniel.

Referência:
Childhood Trauma Is Predictive for Clinical Staging, Alcohol Consumption, and Emotional Symptoms in Patients With Head and Neck Cancer - Bruna Amélia M. Sarafim‐Silva, Gabrielle D. Duarte, Maria Lúcia M. M. Sundefeld, Éder Ricardo Biasoli, Glauco I. Miyahara, Daniel Galera Bernabé - First published: 06 August 2018 - https://doi.org/10.1002/cncr.31597


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