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AtualizadoDom, 19 Ago 2018 10pm

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Câncer testicular: impacto e risco do tratamento

DIOGO BASTOS LACOG GU NEW NET OKO tratamento do câncer de testículo aumenta o risco de neoplasia maligna subsequente (NMS). Não se sabe se mudanças no tratamento do câncer testicular ao longo do tempo afetaram o risco de NMS. Estudo que avaliou cerca de 6 mil pacientes tratados de 1976 a 2007 mostra resultados em artigo no Journal of Clinical Oncology (JCO). Diogo Assed Bastos (foto), oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e do Hospital Sírio-Libanês, comenta o trabalho.

 

O risco de NMS sólida foi avaliado em uma coorte multicêntrica composta por 5.848 sobreviventes de câncer testicular tratados antes dos 50 anos de idade, entre 1976 e 2007. A incidência de NMS foi comparada com a incidência de câncer na população geral. Os riscos específicos do tratamento foram avaliados por meio de regressão multivariada em um desenho de caso-coorte.

Resultados

Após acompanhamento médio de 14,1 anos foram observados 350 NMS (tumores sólidos), traduzindo-se em aumento de 1,8 vezes (IC 95%, 1,6-2,0) no risco de câncer em comparação com as taxas gerais da população. O risco de NMS foi aumentado em pacientes com seminoma e não-seminoma (razão de incidência padronizada, 1,52 e 2,21, respectivamente).

Pacientes com não-seminoma apresentaram aumento do risco de câncer de tireoide, pulmão, estômago, pâncreas, cólon e bexiga, além de risco maior de melanoma e sarcoma de partes moles. Os pacientes tratados para seminoma apresentaram aumento do risco de câncer de intestino delgado, pâncreas e bexiga. A incidência acumulada de NMS em 25 anos foi de 10,3% (IC 95%, 9,0% a 11,6%).

Na análise multivariada, quimioterapia baseada em platina foi associada com risco aumentado de desenvolver tumores sólidos (razão de risco [RR], 2,40; IC95%, 1,58 a 3,62), como câncer colorretal (HR, 3,85; IC 95%, 1,67 a 8,92) e não gastrointestinal (HR, 5,00; IC95%, 2,28 a 10,95).

O tratamento com platina 400 a 499 e ≥ 500 mg/m2 aumentou o risco de NMS em comparação com a cirurgia (HR, 2,43; 95% CI, 1,40 a 4,23 e HR, 2,42; 95% CI, 1,50 a 3,90, respectivamente), enquanto risco não foi significativamente aumentado com doses menores (HR, 1,75; IC95%, 0,90 a 3,43). A razão de risco (HR) para tumores gastrointestinais aumentou 53% (95% CI, 26% a 80%) por 100 mg / m2 de quimioterapia contendo platina.

Em relação à radioterapia, o risco de NMS infradiafragmática aumentou em 8% por Gray de dose de radiação administrada (95% CI, 6% a 9%; P <0,001).

Em conclusão, a radioterapia e a quimioterapia contendo platina estão associadas ao aumento do risco de NMS, especialmente tumores gastrointestinais.

Toxicidades tardias do tratamento do tumor germinativo de testículo

Por Diogo Assed Bastos, oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e do Hospital Sírio-Libanês

Trata-se de um importante estudo avaliando toxicidades tardias de tratamento do tumor germinativo de testículo. Sabe-se que entre as possíveis toxicidades tardias de quimioterapia baseada em cisplatina estão o aumento do risco cardiovascular, risco de infertilidade, ototoxicidade e o aumento do risco de outras neoplasias malignas subsequentes (NMS).

O estudo em questão traz dados relevantes em relação a este risco em uma coorte grande de pacientes com tumor germinativo de testículo tratados entre 1976 e 2007. Os dados confirmaram dados de outros estudos, com aumento no risco de NMS com uso de quimioterapia baseada em cisplatina e também com a radioterapia infra-diafragmática. A incidência cumulativa em 25 anos de NMS foi de 10,3%, sendo 12,6% em pacientes com seminoma e 9,5% nos pacientes com tumor não seminomatoso. O dado mais relevante deste estudo refere-se à observação do aumento do risco de NMS ser dose-dependente, com maior risco de NMS quanto maior a dose de cisplatina, especialmente em doses ≥ 400 mg/m2 (dose estimada em 4 ciclos de quimioterapia).

Dados deste estudo devem servir de base para discussão de prós e contras dos tratamentos de pacientes portadores de tumor germinativo de testículo, especialmente no contexto de terapia adjuvante. Com demonstração cada vez mais consistente do aumento de NMS com uso de quimioterapia ou radioterapia, deve-se considerar cada vez mais a vigilância ativa após a orquiectomia, especialmente em pacientes com menor risco de recidiva, com objetivo de reduzir a exposição a tratamentos associados a toxicidades tardias significativas.

Referência: Risk of Solid Cancer After Treatment of Testicular Germ Cell Cancer in the Platinum Era.Groot HJ1, Lubberts S1, de Wit R1, Witjes JA1, Kerst JM1, de Jong IJ1, Groenewegen G1, van den Eertwegh AJM1, Poortmans PM1, Klümpen HJ1, van den Berg HA1, Smilde TJ1, Vanneste BGL1, Aarts MJ1, Incrocci L1, van den Bergh ACM1, Jóźwiak K1, van den Belt-Dusebout AW1, Horenblas S1, Gietema JA1, van Leeuwen FE1, Schaapveld M1.- DOI: 10.1200/JCO.2017.77.4174 Journal of Clinical Oncology - published online before print July 10, 2018


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