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AtualizadoQui, 19 Out 2017 3pm

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Custo e benefício clínico

FARMACOECONOMIA ON6 NET OKEstudo publicado em junho no Lancet Oncology1 discute custo e benefício dos modernos tratamentos de câncer e conclui que a oferta de cuidados ótimos para o paciente de câncer em um sistema de saúde sustentável exigirá reconciliar o custo das novas drogas e o benefício clínico. Quem fala sobre os dados apresentados no estudo é Rachel Riera, do Centro Cochrane do Brasil, médica especialista em Economia da Saúde.

 

Método

Os autores consideraram todos os estudos randomizados controlados envolvendo terapias sistêmicas para câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC), câncer de mama, colorretal e câncer de pâncreas, publicados de 2011 a 2015. Desse universo, foram selecionados os estudos que na primeira análise pré-planejada mostraram diferenças significativas no desfecho primário em favor do grupo experimental. Os endpoints secundários foram considerados apenas quando o desfecho primário não atingiu significância estatística.

Para calcular o benefício clínico, os autores se balizaram na escala da ASCO e da ESMO e arbitraram um escore mediano. Para avaliar o impacto no custo, o estudo considerou o preço médio dos medicamentos no atacado em 2016 e o custo incremental, ou seja, a diferença entre o custo do medicamento no grupo experimental e o custo do medicamento usado no grupo controle em cada um dos estudos avaliados.

Resultados

Um total de 109 estudos foram elegíveis, sendo 42 (39%) em CPNPC, 36 (33%) em câncer de mama, 25 (23%) em câncer colorretal e 6 (6%) em câncer pancreático.

Entre os 100 estudos controlados randomizados para os quais os dados de preço dos medicamentos estavam disponíveis, o índice de benefício e os custos incrementais dos medicamentos foram negativamente correlacionados (ρ = - 0·207; p = 0 · 039).

Outro achado importante mostra que os medicamentos que atenderam aos critérios de benefício clínico da ESMO apresentaram menor custo médio do que aqueles que não atingiram os limites da escala (US$ 2981 [IQR 320-9059] versus US$ 8621 [1174-13 930]; p = 0 · 018).

Referências: Del Paggio, JC, Sullivan, R, Schrag, D et al. Delivery of meaningful cancer care: a retrospective cohort study assessing cost and benefit with the ASCO and ESMO frameworks. Lancet Oncol. 2017;(published online June 2.) - http://dx.doi.org/10.1016/S1470-2045(17)30415-1

Evidência e valor na oncologia

O estudo de Del Paggio e colegas mostra que há uma distância entre o preço praticado e o benefício incremental que efetivamente é oferecido ao paciente oncológico. Afinal, existem caminhos para reconciliar o custo dos novos medicamentos e o benefício clínico?

Quem analisa é Rachel Riera, do Centro Cochrane do Brasil, médica especialista em Economia da Saúde. Que lições a Medicina Baseada em Evidência (MBE) pode nos deixar para contribuir com essa reflexão?

“Este artigo traz à tona um assunto muito discutido dentro da MBE: a diferença entre diferença estatística e relevância clínica (benefício clínico). Discutir e definir 'benefício clínico' é fundamental para avaliar a custo-efetividade de um medicamento. Benefício clínico inclui melhora significativa em desfechos importantes para o paciente, em um grau suficiente para modificar o efeito da doença na vida do paciente. Isso é muito diferente de diferença estatística, que é, de modo simplista, uma diferença numérica.

Assim, toda vez que um estudo nos mostra uma diferença estatística significativa a favor de um medicamento quando comparado com placebo (ou outro tratamento), precisamos avaliar se esta diferença está associada a uma melhora clínica importante. Por exemplo, um estudo compara um análgesico A com analgésico B para dor lombar aguda. Os resultados mostram que, ao final do tratamento, a média de dor no grupo que recebeu análgésico 'A' foi de 2 pontos (em uma escala de 0 a 10, onde 0 = ausência de dor e 10 = dor máxima) e no grupo que recebeu analgésico 'B', esta média foi 3. As análises estatísticas mostraram que houve uma diferença significativa a favor do análgésico 'A', com um nível aceitável de confiança. No entanto, para o paciente com dor lombar, o que representa esta diferença de 1 ponto nesta escala? Muito provavelmente não representa melhora da intensidade da dor. Se o analgésico 'A' custa três vezes o valor do analgésico 'B', isso pode ser um problema maior ainda. Assim, a relação custo benefício deve ser avaliada com base no benefício clínico e não na diferença estatística, e nem sempre isso é feito nos estudos e na prática clínica”.


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