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AtualizadoSeg, 18 Set 2017 2am

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Como garantir segurança na cirurgia oncológica?

ON11_PG3_OPINIAODOESPECIALISTA_FELIPE_OPTION2_NET_OK.jpgA Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica fundou a primeira diretoria de qualidade e segurança em cirurgia do câncer, com o objetivo de produzir diretrizes para determinar a qualidade e segurança do tratamento e contribuir para disseminar as melhores práticas. “Precisamos perseguir a excelência e assumir a segurança do paciente como um valor central”, afirma o oncocirurgião Felipe José Fernandez Coimbra (foto), presidente da SBCO.

Cerca de 80% dos pacientes com câncer precisarão de ao menos um procedimento cirúrgico ao longo da vida, para tratamento ou paliação. Entretanto, menos de 25% desses pacientes conseguem realmente obter uma cirurgia segura, acessível e em tempo oportuno. Com a incapacidade de formar novos cirurgiões e fortalecer os sistemas globais de cirurgia oncológica, as perdas no PIB mundial podem chegar a 6, 2 trilhões de dólares em 2030. O alerta foi publicado pela Lancet Oncology Comission1, encarregada de mapear o cenário e analisar o impacto do problema. Os resultados preocupam.

Os dados da Comissão apontam que anualmente 45 milhões de procedimentos cirúrgicos são necessários em todo o mundo para enfrentar a carga do câncer, mas lacunas na formação, o baixo volume de investimentos e a falta de fomento à pesquisa ajudam a explicar porque estamos longe de privilegiar a cirurgia oncológica.

Além de desvelar um cenário de dificuldades, a Comissão também destaca soluções e exemplos de inovação que podem inspirar caminhos. Conferir papel central à cirurgia no planejamento do controle do câncer é uma das saídas, assim como o incentivo a parcerias internacionais e iniciativas de ensino, pesquisa e assistência capazes de fortalecer serviços cirúrgicos. 

Não é apenas a falta de acesso que desperta preocupação. Em 2008, as diversas especialidades cirúrgicas ocuparam o primeiro lugar nos eventos sentinela, desde que a Joint Commission2 começou a manter o registro de dados, em 1996, em um cenário que aumentou o alerta em defesa da segurança dos pacientes.

Dados da Joint Comission mostram que nos Estados Unidos o problema alcançava 30% dos hospitais, 28% dos ambulatórios e 16% dos consultórios médicos em 2006. Dez anos depois, é alarmante reconhecer que o problema continua. A estrutura para realização de cirurgias acumula dificuldades históricas e na oncologia a preocupação em proporcionar um ambiente de segurança e acessibilidade se torna ainda mais relevante.
 
Referências: 1 - Global cancer surgery: delivering safe, affordable, and timely cancer surgery – The Lancet Oncology – Vol. 16, n° 11, p1193-1224, september 2015

2 - Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations. Root causes of wrong site surgery (1995-2005)

Como garantir cirurgia segura, acessível e em tempo oportuno no tratamento do câncer? 

Quem responde é o oncocirurgião Felipe José Fernandez Coimbra, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

No Brasil, temos poucos dados de segurança na saúde. Mais recentemente, esta discussão tem entrado em pauta nas entidades médicas e sociedades de especialidades brasileiras. Na Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, fundamos a primeira diretoria de qualidade e segurança em cirurgia do câncer, acredito que a primeira voltada a este tema no país, e que tem a função de coordenar os trabalhos, em cooperação com todas as especialidades envolvidas no tratamento do câncer. Significa que a SBCO estará à frente da produção de diretrizes para determinar a qualidade e segurança do tratamento oferecido ao paciente. A iniciativa deve aumentar a segurança da população submetida ao tratamento do câncer e contribuir para disseminar as melhores práticas, construindo um registro de informações relevantes da cirurgia oncológica no país. É essa base de dados, inicialmente em centros especializados, que pode servir de esteio e amparar a evolução de uma nova política para a cirurgia no tratamento do câncer no Brasil.

Outro ponto importante é considerar que cirurgia segura na oncologia não se refere apenas ao check-list do ato operatório, implantado em diversas instituições. Na oncologia, a segurança do paciente se inicia na prevenção e diagnóstico precoce, no tempo adequado até o início do tratamento, na cirurgia adequada para cada tipo de tumor, na diminuição das complicações e do tempo para início do tratamento adjuvante e neoadjuvante, com foco na qualidade de vida e sobrevida. Hoje, não temos dados oficiais relativos à segurança e qualidade: são escassos e encontrados apenas em algumas instituições.

Precisamos mudar esse quadro, eliminar as razões que alimentam o déficit na cirurgia oncológica e perseguir a excelência, assumindo a segurança do paciente como um valor central. Não é aceitável que os pacientes, muitas vezes desinformados, sejam expostos a demoras e tratamentos inadequados como tem acontecido. É a partir de ações como essas que queremos nos espelhar em entidades como a Joint Comission Internacional e definir um conjunto de orientações para melhorar a segurança e a qualidade dos cuidados com o paciente.

Em 2008, a Organização Mundial de Saúde lançou o programa Cirurgia Segura e lembrou que a falta de um processo pré-operatório padronizado amplia significativamente a possibilidade de ocorrências. Não há dúvida de que a adoção de protocolos é a melhor recomendação para evitar eventos catastróficos para os pacientes e prestadores de serviços médicos.

Mudar essa situação pressupõe um novo olhar sobre as prioridades definidas nas políticas de assistência oncológica. Para mitigar os vazios na cirurgia, não há outro caminho a não ser investir maciçamente na formação de novos cirurgiões. A educação continuada e a formação de novos quadros é uma bandeira da SBCO. Potencializando as iniciativas de qualidade e segurança, criamos o PECCO (Programa de Educação Continuada em Cirurgia Oncológica), além de parcerias com associações internacionais como ESSO e SSO, também dedicadas à defesa profissional e busca por uma remuneração mais justa, permitindo que cada médico tenha condições de investir na sua formação e atualização. 


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