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AtualizadoSáb, 23 Mar 2019 9pm

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SBOC tem nova diretoria

ON14 SIMON NET OKO oncologista Sergio Simon (foto), diretor do GBECAM e médico do Centro Paulista de Oncologia (CPO), do Grupo Oncoclínicas, assume a presidência da SBOC disposto a aumentar o número de associados e fortalecer programas de educação médica continuada. Durante o XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, Onconews conversou com o especialista sobre o atual momento da oncologia brasileira e perspectivas para a área. Confira a entrevista exclusiva.

Como o senhor vê o momento atual da oncologia brasileira?
A oncologia vive uma fase muito produtiva. A SBOC foi eleita para participar do conselho científico da AMB, a Associação Médica Brasileira, e isso faz uma diferença enorme. A SBOC agora é responsável pela titulação dos oncologistas do Brasil e isso nos dá uma capacidade muito maior de interagir com o Governo, de poder interferir em políticas públicas do câncer. Hoje, nós temos 1.400 sócios pagantes e queremos provavelmente dobrar esse número nos próximos anos. Aquele oncologista que hoje está distante, vamos mostrar a ele que a Sociedade tem muito a oferecer e que sem dúvida existem muitas vantagens em termos de educação médica continuada e da defesa da própria especialidade, sem falar da participação em cursos e congressos de recertificação de especialistas da área. Enfim, queremos aumentar muito a participação, principalmente da nova geração de oncologistas. Temos hoje uma nova geração de oncologistas clínicos que é excepcional, muito bem treinada e preparada para liderar a especialidade nas próximas décadas. Nosso papel é cuidar muito bem desses jovens. Outra ideia é incorporar uma categoria diferente de associado. Hoje, os pesquisadores de ciência básica na área do câncer, que fazem pesquisa translacional no Brasil, não têm uma sociedade que os represente e poderiam estar no guarda-chuva da SBOC. Então, nossos planos são de crescimento e um crescimento importante. Queremos melhorar muito o treinamento e a educação médica dos oncologistas na área de biologia molecular porque a especialidade se transformou. Agora, quem não estiver por dentro de biologia molecular não acompanha o que está sendo feito. Nas escolas médicas brasileiras a formação infelizmente é pobre nessa área, o que significa que nós temos que suprir todo esse conhecimento e retreinar muitos médicos residentes que vieram da clínica médica, para que todos possam entender como estamos evoluindo e conhecer a direção que a oncologia está tomando.

"Temos hoje uma nova geração de oncologistas que é excepcional, são muito bem treinados e preparados para liderar a especialidade nas próximas décadas. Nosso papel é cuidar muito bem desses jovens

Uma discussão muito presente na oncologia é a desigualdade entre assistência privada e assistência pública. Qual a sua visão?
Um dos grandes problemas no Brasil é sem dúvida a disparidade entre o sistema público e o privado. Existem inúmeros tratamentos oncológicos que já estão chancelados pela Anvisa, mas não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. O SUS é uma conquista do país, mas evidentemente tem falhas que precisam ser corrigidas. Uma dessas falhas é não disponibilizar medicamentos que são fundamentais para a sobrevida do paciente. O exemplo mais emblemático foi a terapia anti -HER2 no câncer de mama. Veja que não estamos nem falando de imunoterapia, mas a incorporação do trastuzumabe na adjuvância levou 10 anos desde a apresentação dos trabalhos. Na doença metastática levou mais tempo ainda, foram quase 15 anos até a incorporação. E são medicamentos que sabidamente melhoram as taxas de cura dessas mulheres, com aumento de sobrevida global. Esperamos aumentar muito o leque de opções de tratamento no sistema público, estabelecendo um diálogo franco com a CONITEC e com o próprio Ministério da Saúde. Vamos mostrar que se a gente for inventivo e encontrar novas maneiras, vai ser possível aumentar o acesso a um número maior de medicamentos. O meu desejo é que o Governo se concentre em ajudar os mais pobres, porque o rico se vira. É nessa hora que o governo tem que fazer a diferença e não fechar a porta para essa população. Recentemente fui ao Nepal, um dos países mais pobres do mundo, onde trabalhei em um hospital público por duas semanas, em oncologia. É interessante ver como eles têm drogas-alvo que o brasileiro não tem. Em câncer de pulmão, eles têm não apenas a testagem, mas a droga anti-EGFR a um preço muito pequeno, utilizando um biossimilar fabricado na India. Eles souberam dar um nó no problema e resolver. Se o Brasil conseguiu equacionar os custos de tratar todos os pacientes HIV positivo – e o tratamento é muito caro – não vejo porque a oncologia não pode seguir esse caminho com uma política de oferecer acesso a todos os pacientes. Cabe ao Governo sentar com as companhias farmacêuticas e buscar opções de acesso. Uma das nossas propostas é fazer um pacote definindo o tratamento mínimo do câncer no Brasil. É um programa que vai incluir guidelines, orientações de tratamento com aquilo que realmente faz a diferença para o paciente. Aí o governo tem que se virar em quatro para achar a solução do problema.

Para encerrar, que cenário o senhor projeta para a oncologia daqui a 2 anos? 
Espero que a gente aumente a força da Sociedade e melhore a educação continuada do oncologista brasileiro. A partir de agora, vamos cuidar para que a prova de Especialista seja realmente bem calibrada para selecionar quem está preparado para ser oncologista clínico no Brasil, com a chancela da SBOC no seu diploma. Vamos atuar em várias frentes, temos uma diretoria muito motivada e pró-ativa, um quadro de profissionais extremamente competente e temos certeza de que vamos melhorar ano a ano a situação da oncologia brasileira.


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