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AtualizadoQua, 18 Jul 2018 5pm

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ASCO 2018

Lições para evitar o overtreatment

MARCIO DEBIASI 2018NET OKNa oncologia mamária, evitar o overtreatment foi tema que marcou a tônica desta ASCO. O médico Márcio Debiasi (foto), oncologista clínico do Breast International Group (BIG), analisa os estudos TAILORx e PERSEPHONE, destaques da programação científica em câncer de mama no encontro de Chicago.

 

A sessão plenária da ASCO 2018 foi marcada pela apresentação do estudo TAILORx. Trata-se de um estudo de não-inferioridade com o objetivo principal de demonstrar que pacientes com tumores luminais HER2-negativos poderiam ser poupadas da quimioterapia quando o teste OncotypeDX resultasse intermediário (definido como Recurrence Score - RS entre 11 e 25), tendo como desfecho principal sobrevida livre de doença invasiva (invasive Disease-Free Survival - iDFS).

O estudo incluiu 10.253 mulheres entre 18 e 75 anos com tumores entre 1,0 e 5,0 cm (ou entre 0,6-1,0 cm, se graus intermediário ou alto) e linfonodos axilares negativos, submetidas ao OncotypeDX. Dessas, 6711 apresentaram RS entre 11 e 25, sendo então randomizadas para receber ou não quimioterapia.

Depois de 90 meses de seguimento mediano, 84,3% das pacientes estavam livres de doença invasiva no grupo quimioterapia, contra 83,3% no grupo sem quimioterapia (HR 1,08; IC95% 0,94-1,24). O estudo resultou positivo, comprovando a não-inferioridade de omitir a quimioterapia nesse grupo de pacientes, dado que o limite superior do intervalo de confiança não ultrapassou o limiar pré-estabelecido de não-inferioridade de 1.32.

Sem dúvida, o advento das assinaturas gênicas traz um novo desafio para o clínico, que agora precisa saber entre qual delas escolher na prática. Neste sentido, é importante recordar que pacientes com linfonodos positivos não foram incluídas no estudo e que a análise de não-inferioridade não se mostrou robusta no subgrupo de mulheres com idade inferior a 50 anos.

Este estudo representa um grande marco na evolução do tratamento das pacientes com câncer de mama. Depois de uma era em que os avanços foram obtidos com a oferta cada vez maior de novas drogas para um contingente também maior de pacientes, hoje estamos aprendendo a identificar as mulheres para as quais o tratamento é de fato necessário e benéfico.

PERSEPHONE

O estudo PERSEPHONE foi outro destaque do programa científico e investigou a não-inferioridade de trastuzumabe adjuvante por 6 meses comparado ao tratamento padrão de 12 meses, tendo como desfecho principal Disease-Free Survival (DFS). Para definir o limiar de não inferioridade foi pré-estabelecido que, após quatro anos de seguimento, seria aceito um incremento absoluto de até 3% na taxa de recorrência, resultando em um HR de no máximo 1,29.

Conduzido no Reino Unido, este estudo inscreveu 4089 pacientes, das quais 89% apresentavam-se livres de doença em ambos os grupos após 4,9 anos de seguimento mediano (HR 1,05; IC95% 0,88-1,25). A exemplo do estudo TAILORx apresentado na sessão plenária da ASCO, aqui também foi comprovada a não-inferioridade do tratamento experimental com trastuzumabe por 6 meses. Adicionalmente, como esperado, houve menor ocorrência de cardiotoxicidade no grupo tratado por 6 meses (4 vs. 8%).

A partir dos dados apresentados, trastuzumabe por 6 meses deve ser considerado como alternativa válida de tratamento para mulheres com tumores de mama HER2 positivos. Entretanto, é provável que esta estratégia não se aplique a todas as pacientes e aquelas de alto risco devem ser tratadas com estratégia mais agressivas.

*O artigo reflete a opinião do autor e não a opinião institucional do BIG

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